| Pedalar
em São Paulo
Ser
ciclista em São Paulo não é fácil. Nas ruas, faltam respeito
e segurança. Enquanto pedalam, eles lutam para que esta situação
mude como em outras metrópoles do mundo
Gustavo
Fioratti
Sinal verde. O ciclista lidera a largada. Aos poucos, vai
sendo ultrapassado pelos automóveis. Aperta os olhos
na rajada de fumaça de um escapamento. O ônibus
passa rente ao guidão. São Paulo definitivamente
está longe de se adequar ao ciclismo, apesar do crescente
número de bicicletas nas ruas – só a Caloi
vende, por ano, 1,5 milhão de bicicletas no Estado.
Basta andar alguns minutos pela cidade para recolher histórias
de hostilidade contra o que poderia ser um dos principais
meios de transporte urbano, a exemplo do que acontece em capitais
como Amsterdã e Berlim.
O sucesso dos Night Bikers e dos Sampa Bikers, grupos que
começaram
a promover passeios coletivos de bicicleta no início
da década de 90, mostra que o risco de assalto e de
acidentes ainda são os principais medos dos praticantes.
“Quem mais nos procura são pessoas que, se estivessem
sozinhas, não andariam de bicicleta pela cidade”,
diz o arquiteto Paulo de Tarso, fundador dos Sampa Bikers
e suas caravanas com encontro marcado todas as quartas-feiras
à noite em frente ao restaurante Pizzarela (al. dos
Pamaris, 50, Moema). “Fazemos um passeio tranquilo,
parando para tirar foto de paisagens”, completa.
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| Engajados:
o grupo Bicicletada se reúne em pontos de movimento e
clama por educação no trânsito |
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Outros grupos, como os Moonlights Bikers, acabaram se apropriando
das idéias dos Sampa e dos Night, o que em parte confirma
a necessidade de segurança entre ciclistas. As conquistas
ainda se restringem ao código de trânsito de
1997, que especifica que todos os motoristas deveriam manter
1,5 m de distância de ciclistas, em ultrapassagens.
“Mas ninguém respeita isso”, denuncia Júlio
Cesar Aragão da Silva, criador do Bicicletada, um site
de conscientização que reivindica direitos para
o ciclismo. O principal meio de manifestação
do Bicicletada são as passeatas e a distribuição
de panfletos. “Reclamamos contra motoristas irresponsáveis,
poluição e más condições
de segurança”, argumenta Júlio.
Um dos problemas apontados por Júlio, a poluição,
se materializa em situações extravagantes. O
empresário Fabrizio Giovannini pedala quase diariamente
da Cidade Universitária para o escritório em
Santo Amaro plugado a um estranho maquinário. O também
corredor de aventura pela equipe Mitsubishi QuasarLontra (12°
colocado no Eco Challenge de 2002) comprou um respirador motorizado,
usado em ambientes tóxicos, adaptou o instrumento a
uma mochila e ao capacete fechado da modalidade down hill.
O conjunto pesa cinco quilos. Mas o esforço extra tem
recompensa: hoje, o empresário não sente mais
a garganta arranhar no fim do dia.
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Bike
x Poluição: Giovannini pedala plugado a respirador
automático, para evitar a fumaça dos carburadores |
Enquanto a cidade não oferece boas alternativas, como
explica o treinador Ricardo Arap, ciclistas devem procurar
caminhos alternativos, evitando semáforos. “Ciclismo
é universal porque atende às necessidades e
perspectivas de todos, seja uma criança, que tem a
bicicleta como brinquedo, seja um idoso, que trabalha o sistema
cardiovascular”, diz Ricardo.
Por ser tão saudável, poderia ser melhor tratado
como em outras capitais do mundo, onde não faltam ciclovias
e a bicicleta é realmente um meio de transporte.
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