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Pais
que são mães
São
Paulo é a capital brasileira dos “superpais”.
Separados, casados, gays ou viúvos, cada vez mais
homens provam que estão aptos a cuidar dos filhos
Marina Caruso
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Multiuso:
o VJ Edgard troca fraldas
e leva os filhos na escola: para ele,
o pai tem que participar, sempre |
Ninguém escapou de, ainda criança, lápis
de cor em punho, rabiscar o clássico desenho da família
perfeita: você, papai, mamãe, os irmãozinhos,
aquela casinha com chaminé e, ao fundo, o Rex saltitante.
A imagem retratada numa das primeiras garatujas da vida de
quase todo mundo nem sempre se materializa no futuro. Afinal,
o núcleo familiar ideal sempre sofre variações.
Ninguém mais faria feio se, em seu desenho, a mãe
tivesse sumido e no centro deste novo núcleo familiar
estivesse só ele, o superpai. Ou o pãe
termo coloquial para designar o homem que cuida de
tudo sozinho. Mas, cuidado! Jamais pronuncie o termo na frente
de psicólogos ou terapeutas. Especialistas se recusam
a aceitar que o pai, por mais ativo que seja na educação
dos filhos, ocupe o lugar das mães. A terapeuta de
família Tai Castilho, diretora do Instituto de Terapia
Familiar de São Paulo, explica: O fato de cada
vez mais pais assumirem funções que eram exclusivamente
maternas não os transforma em mães. De
acordo com ela, nas últimas décadas, a mulher
se lançou mais ao mercado de trabalho, e coube aos
homens assumir uma parte maior na criação dos
filhos. Observa-se que o homem está mais acolhedor,
feminino e a mulher mais viril e independente.
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Apesar
de ser separado, Mendes é um dos melhores amigos dos filhos,
Fernanda e Felipe |
Bons exemplos desse novo equilíbrio não faltam.
Edgard Piccoli, 37 anos, vj da MTV e apresentador do programa
de clipes Supernova, é um dos que se enquadram na nova
ordem do pai hiperparticipativo. Junto com a mulher, a artista
plástica Teca Guimarães, 33, ele cuida dos quatro
filhos do casal Mariana, oito anos, João, sete,
e as gêmeas Júlia e Gabriela, dois. A receita
do sucesso é a velha divisão de tarefas domésticas.
Eles têm um pai que é meio mãe e
vice-versa, diz Edgard. Aqui em casa desempenhamos
todas as funções. Até fralda o Ed troca,
completa Teca.
A cumplicidade entre o casal existe desde que começaram
a namorar, há 11 anos. Mas, segundo o vj, se intensificou
muito logo após o nascimento prematuro das gêmeas
Júlia e Gabriela. Foi, sem dúvida, o momento
mais difícil que passamos. Elas nasceram com quase
sete meses, um quilo de peso e saúde debilitada. Eu,
literalmente, acampei na maternidade. Não saía
de lá por nada, recorda Edgard. Se ele
não tivesse ficado ao meu lado, não sei se aguentaria
a barra, diz Teca. A união dos dois impressiona,
mas nem sempre tamanha harmonia é possível.
Sabe-se que, de cada três uniões, pelo menos
uma tende a terminar em separação. Por isso
aumenta significativamente o número de famílias
uniparentais, ou seja, criadas apenas por um dos pais.
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