|
Tal
Pai, tal Filho
Lembra-se daqueles tempos em que os filhos detestavam as
roupas que os pais vestiam e vice-versa ? Pois é. Já
eram. Como nunca, as propostas para usar no dia-a-dia servem
para pessoas de várias idades. Há boas razões
para essa mudança de atitude. A roupa, como em nenhum
outro tempo, continua a ser um objeto da afirmação
de um estilo pessoal, mas agora ela é feita para ser
prática e confortável. Pegue-se, por exemplo,
o jeans, aquele tecido que os mineiros americanos usavam há
quase 200 anos e que na metade do século passado virou
símbolo de contestação dos jovens contra
a caretice, o sistema e sabe-se-lá-contra-mais-o-quê.
Hoje, ele se democratizou. Todo mundo pode usar. E todo mundo
veste. Rasgado, desbotado, novo em folha, com camisa, com
camiseta, com pulôver, com paletó... O mesmo
vale para a calça cáqui, que nasceu como uniforme
dos soldados e que hoje se rivaliza com o denim na praticidade,
com a vantagem de ser mais leve (e, portanto, melhor para
enfrentar dias escaldantes de um país como o Brasil).
Outra peça de roupa que ocupa cada vez mais espaço
nos guarda-roupas masculinos é a camisa-pólo,
genial criação do século XX. Quando o
francês René Lacoste a inventou em 1933, ela
era uma camiseta de algodão de mangas curtas, com colarinho
mole aberto em forma de V na frente do pescoço,
inicialmente branca. Pois o estilo pólo também
evoluiu: saiu das quadras para as ruas, ganhou listras, cada
vez mais assimétricas e tons coloridos.
Um parceiro perfeito para o jeans e para as calças
cáqui. Até mesmo os paletós dos dias
de hoje embarcaram nesta onda mais casual. Foram ganhando
uma modelagem descontraída e não precisam mais
da companhia das gravatas, com a óbvia exceção
das ocasiões formais. É claro que não
pega bem ir a um casamento sem gravata. O mesmo vale para
uma reunião de negócios importante. Mas dá
para esticar para a noite tranquilamente apenas com um paletó
e o colarinho desabotoado. Ou confortavelmente vestido com
um blusão de couro ou tecido, com muitos bolsos.
Tudo isso, entretanto, não significa que liberou geral.
Um homem elegante é o que sabe usar a roupa adequada
para a situação na qual está e encontra
sempre o bom equilíbrio das cores e estilos entre as
peças que veste. Em resumo: ir a uma reunião
em que todo mundo está engravatado de jeans e camiseta
é gafe. Ir de terno, colete e gravata para a praia
ou campo, idem.
Escolher e combinar adequadamente a roupa para cada ocasião
continua a exigir atenção e regras bem definidas.
Evite jogar muito com os contrastes nas peças principais,
como calças e paletós, mas experimente a sua
criatividade nas camisas, camisetas e gravatas. É bom
ter cuidado para colocar lado a lado peças com cores
que não briguem entre si. Calçar sapatos pretos
com jeans também é muito pior do que usar os
marrons. E, nos momentos mais descontraídos, é
sempre melhor usar mocassins, dock-siders e tênis do
que sapatos ou botas pesadões. Mas basta ter um pouquinho
de bom senso e equilíbrio para ousar e escapar das
gafes sem problemas.
Mais do que unir gerações, o estilo casual
estimula a criatividade de adeptos de todas as idades. Vestir-se
com estilo e muita praticidade passou a ser um saudável
ponto de união entre os pais e os filhos
deste começo de século. No ensaio a seguir,
o fotógrafo Luís Crispino esmiúça
a intimidade e as brincadeiras preferidas de pais e filhos
famosos e faz uma espécie de releitura atual dos principais
looks que marcaram o século.
|
MAIS
QUE O ESTILO EM COMUM: Clique sobre cada foto e confira |
|
|
Texto: Fernando de Barros
Fotos: Luís Crispino
Maquiagem: Celso Kamura
|