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MODA
02/08/2002

Tal Pai, tal Filho

 
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Lembra-se daqueles tempos em que os filhos detestavam as roupas que os pais vestiam e vice-versa ? Pois é. Já eram. Como nunca, as propostas para usar no dia-a-dia servem para pessoas de várias idades. Há boas razões para essa mudança de atitude. A roupa, como em nenhum outro tempo, continua a ser um objeto da afirmação de um estilo pessoal, mas agora ela é feita para ser prática e confortável. Pegue-se, por exemplo, o jeans, aquele tecido que os mineiros americanos usavam há quase 200 anos e que na metade do século passado virou símbolo de contestação dos jovens contra a caretice, o sistema e sabe-se-lá-contra-mais-o-quê. Hoje, ele se democratizou. Todo mundo pode usar. E todo mundo veste. Rasgado, desbotado, novo em folha, com camisa, com camiseta, com pulôver, com paletó... O mesmo vale para a calça cáqui, que nasceu como uniforme dos soldados e que hoje se rivaliza com o denim na praticidade, com a vantagem de ser mais leve (e, portanto, melhor para enfrentar dias escaldantes de um país como o Brasil).

Outra peça de roupa que ocupa cada vez mais espaço nos guarda-roupas masculinos é a camisa-pólo, genial criação do século XX. Quando o francês René Lacoste a inventou em 1933, ela era uma camiseta de algodão de mangas curtas, com colarinho mole aberto em forma de “V” na frente do pescoço, inicialmente branca. Pois o estilo pólo também evoluiu: saiu das quadras para as ruas, ganhou listras, cada vez mais assimétricas e tons coloridos.

Um parceiro perfeito para o jeans e para as calças cáqui. Até mesmo os paletós dos dias de hoje embarcaram nesta onda mais casual. Foram ganhando uma modelagem descontraída e não precisam mais da companhia das gravatas, com a óbvia exceção das ocasiões formais. É claro que não pega bem ir a um casamento sem gravata. O mesmo vale para uma reunião de negócios importante. Mas dá para esticar para a noite tranquilamente apenas com um paletó e o colarinho desabotoado. Ou confortavelmente vestido com um blusão de couro ou tecido, com muitos bolsos.

Tudo isso, entretanto, não significa que liberou geral. Um homem elegante é o que sabe usar a roupa adequada para a situação na qual está e encontra sempre o bom equilíbrio das cores e estilos entre as peças que veste. Em resumo: ir a uma reunião em que todo mundo está engravatado de jeans e camiseta é gafe. Ir de terno, colete e gravata para a praia ou campo, idem.

Escolher e combinar adequadamente a roupa para cada ocasião continua a exigir atenção e regras bem definidas. Evite jogar muito com os contrastes nas peças principais, como calças e paletós, mas experimente a sua criatividade nas camisas, camisetas e gravatas. É bom ter cuidado para colocar lado a lado peças com cores que não briguem entre si. Calçar sapatos pretos com jeans também é muito pior do que usar os marrons. E, nos momentos mais descontraídos, é sempre melhor usar mocassins, dock-siders e tênis do que sapatos ou botas pesadões. Mas basta ter um pouquinho de bom senso e equilíbrio para ousar e escapar das gafes sem problemas.

Mais do que unir gerações, o estilo casual estimula a criatividade de adeptos de todas as idades. Vestir-se com estilo e muita praticidade passou a ser um saudável ponto de união entre os pais e os filhos
deste começo de século. No ensaio a seguir, o fotógrafo Luís Crispino esmiúça a intimidade e as brincadeiras preferidas de pais e filhos
famosos e faz uma espécie de releitura atual dos principais “looks” que marcaram o século.

MAIS QUE O ESTILO EM COMUM: Clique sobre cada foto e confira

Texto: Fernando de Barros
Fotos: Luís Crispino
Maquiagem: Celso Kamura

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