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BOTECOS
07/05/2003

Dona Carlota vai ao Mercadão
Convidada por ISTOÉ São Paulo, a chef Carla Pernambuco,
do badalado Carlota, foi provar e eleger as melhores
comidinhas do Mercado da Cantareira

Chico Silva

Ir ao Mercado Municipal, o famoso Mercadão da Cantareira, no centro velho de São Paulo, é um programaço. Mas, como tudo nessa cidade, é uma tarefa que requer um tanto de paciência e bom humor. Para começar, as principais vias de acesso, rua São Caetano e a caótica avenida do Estado, estão sempre congestionadas. Vencido o trânsito, vem outro drama. Onde estacionar? As vagas são escassas e disputadas. Quem não dirige ou não tem carro é obrigado a encarar o precário sistema de transporte da capital. Mas os vencedores dessa pequena batalha terão como prêmio o deleite de um dos lugares mais charmosos e interessantes de Sampa. Andar pelos estreitos corredores do Mercadão – aberto ao público das 4h às 16h, de segunda a sábado – é uma viagem de cheiros, tons e gostos. O colorido multifacetado das bancas enche os olhos. Donos de restaurantes e gourmets buscam os ingredientes mais frescos para suas criações e confundem-se com donas-de-casa, vendedores de loteria e catadores de latinhas. Todo esse burburinho está instalado sob o belo edifício neobarroco desenhado por Francisco Ramos de Azevedo, o arquiteto que, entre outros projetos, assina o imponente Theatro Municipal. Para ornamentar o belo conjunto, os lindos vitrais do russo Conrado Sorgenicht Filho. E o prazer não acaba aí. Há motivos saborosos que justificariam uma visita ao lugar. Uma deliciosa guerra está sendo travada nos botecos do sexagenário entreposto. As armas dessa disputa são bacalhau, azeite e tradição. Os fregueses do Mercadão já se acostumaram com as divertidas faixas “Aqui, o melhor pastel de bacalhau do Mercadão” ou “O pastel de bacalhau da TV”. Mas nem só do famoso peixe vive o lugar. Há o lendário sanduíche de pernil do Bar do Mané, os bolinhos de bacalhau do Café Machado e o suculento lanche de mortadela do Hocca Bar.

A convite de ISTOÉ São Paulo, a chef Carla Pernambuco, do badalado restaurante Carlota, sucesso em São Paulo e agora no Rio, aceitou o desafio de eleger as melhores comidinhas do Mercadão. “É uma aventura vir aqui. Os bares não têm mesa, garçom, mas isso é que é legal. Gosto também da muvuca, dessa mistura de tipos. É a dondoca lado a lado com o catador de latinhas. Isso faz a alegria desse lugar”, diz Carla, mãe de Floriana, Felipe e Júlia. Apesar de pilotar dois elegantes endereços, ela confessa ser fã de um bom pé-sujo. “A vida não é feita só de pratos caros e restaurantes sofisticados. Adoro cerveja gelada e comida de boteco. Acho que essa é uma das melhores combinações que já inventaram.” Sem dúvida, a moça foi ao lugar certo.

Pizzeria da Giggia

O PASTEL CAMPEÃO
Felipe Leal
PASTEL DE BACALHAU: 8

“O pastel é delicado e a qualidade do bacalhau é superior à dos que eu provei aqui. O recheio é bem consistente. Além do mais, está bem sequinho. Não empapou o guardanapo de óleo. Só não gostei da área onde o boteco está instalado. Essa ala nova do Mercado é impessoal. Cerâmica e tijolinhos não têm a cara do velho Mercadão. Gosto mais do agito e da muvuca do outro lado. O serviço, muito lento, também deixou a desejar.”

Ponto 27

FICOU NA BOA INTENÇÃO
Felipe Leal
PASTEL: 6

“As meninas que trabalham no bar são super-simpáticas e prestativas. Mas o pastel deixou um pouco a desejar. A massa é meio oleosa e o recheio não é tão equilibrado. A mistura tem cebola demais. Isso deixa o pastel com um sabor muito acentuado, além de neutralizar o gosto do bacalhau. Porém, o que mais incomoda é a fritura. Ficou muito oleoso. Também padece de estar instalado na ala nova, a menos autêntica do Mercadão.”

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