|
Dona
Carlota vai ao Mercadão
Convidada por ISTOÉ São Paulo,
a chef Carla Pernambuco,
do badalado Carlota, foi provar e eleger as melhores
comidinhas do Mercado da Cantareira
Chico
Silva
Ir ao Mercado Municipal, o famoso Mercadão da Cantareira,
no centro velho de São Paulo, é um programaço.
Mas, como tudo nessa cidade, é uma tarefa que requer
um tanto de paciência e bom humor. Para começar,
as principais vias de acesso, rua São Caetano e a caótica
avenida do Estado, estão sempre congestionadas. Vencido
o trânsito, vem outro drama. Onde estacionar? As vagas
são escassas e disputadas. Quem não dirige ou
não tem carro é obrigado a encarar o precário
sistema de transporte da capital. Mas os vencedores dessa
pequena batalha terão como prêmio o deleite de
um dos lugares mais charmosos e interessantes de Sampa. Andar
pelos estreitos corredores do Mercadão – aberto
ao público das 4h às 16h, de segunda a sábado
– é uma viagem de cheiros, tons e gostos. O colorido
multifacetado das bancas enche os olhos. Donos de restaurantes
e gourmets buscam os ingredientes mais frescos para suas criações
e confundem-se com donas-de-casa, vendedores de loteria e
catadores de latinhas. Todo esse burburinho está instalado
sob o belo edifício neobarroco desenhado por Francisco
Ramos de Azevedo, o arquiteto que, entre outros projetos,
assina o imponente Theatro Municipal. Para ornamentar o belo
conjunto, os lindos vitrais do russo Conrado Sorgenicht Filho.
E o prazer não acaba aí. Há motivos saborosos
que justificariam uma visita ao lugar. Uma deliciosa guerra
está sendo travada nos botecos do sexagenário
entreposto. As armas dessa disputa são bacalhau, azeite
e tradição. Os fregueses do Mercadão
já se acostumaram com as divertidas faixas “Aqui,
o melhor pastel de bacalhau do Mercadão” ou “O
pastel de bacalhau da TV”. Mas nem só do famoso
peixe vive o lugar. Há o lendário sanduíche
de pernil do Bar do Mané, os bolinhos de bacalhau do
Café Machado e o suculento lanche de mortadela do Hocca
Bar.
A convite de ISTOÉ São Paulo, a chef Carla
Pernambuco, do badalado restaurante Carlota, sucesso em São
Paulo e agora no Rio, aceitou o desafio de eleger as melhores
comidinhas do Mercadão. “É uma aventura
vir aqui. Os bares não têm mesa, garçom,
mas isso é que é legal. Gosto também
da muvuca, dessa mistura de tipos. É a dondoca lado
a lado com o catador de latinhas. Isso faz a alegria desse
lugar”, diz Carla, mãe de Floriana, Felipe e
Júlia. Apesar de pilotar dois elegantes endereços,
ela confessa ser fã de um bom pé-sujo. “A
vida não é feita só de pratos caros e
restaurantes sofisticados. Adoro cerveja gelada e comida de
boteco. Acho que essa é uma das melhores combinações
que já inventaram.” Sem dúvida, a moça
foi ao lugar certo.
Pizzeria da Giggia
| O
PASTEL CAMPEÃO |
 |
|
PASTEL DE BACALHAU: 8 |
“O pastel é delicado e a qualidade do bacalhau
é superior à dos que eu provei aqui. O recheio
é bem consistente. Além do mais, está
bem sequinho. Não empapou o guardanapo de óleo.
Só não gostei da área onde o boteco está
instalado. Essa ala nova do Mercado é impessoal. Cerâmica
e tijolinhos não têm a cara do velho Mercadão.
Gosto mais do agito e da muvuca do outro lado. O serviço,
muito lento, também deixou a desejar.”
Ponto 27
| FICOU
NA BOA INTENÇÃO |
 |
|
PASTEL: 6 |
“As meninas que trabalham no bar são super-simpáticas e prestativas.
Mas o pastel deixou um pouco a desejar. A massa é meio oleosa
e o recheio não é tão equilibrado. A mistura tem cebola demais.
Isso deixa o pastel com um sabor muito acentuado, além de
neutralizar o gosto do bacalhau. Porém, o que mais incomoda
é a fritura. Ficou muito oleoso. Também padece de estar instalado
na ala nova, a menos autêntica do Mercadão.”
Índice
Geral | Próxima
|