Rotina
 
 

Depois da maternidade
Na volta para casa, conter a ansiedade e entender
o bebę é o segredo para a nova vida

André Sarmento

Sônia troca a fralda do filho Guilherme, cuida de sua higiene, conversa com ele e o amamenta. Tudo sem ficar tensa

O bebê nasceu, os dias seguintes na maternidade foram de festa e alegria. Mas, na hora da saída do hospital, quando as portas se fecham atrás dos pais e eles se vêem sozinhos com um recém-nascido no colo, surge uma sensação estranha. E agora, o que fazer? Como encarar o desafio de lidar com esse novo ser, ainda tão desconhecido? O medo aumenta, especialmente se for o primeiro filho. E o momento é de expectativa, inclusive para o próprio bebê. Ele acaba de nascer e já tem a árdua tarefa de se adaptar e vencer os desafios de um mundo novo.

Embora a prática venha acompanhada de surpresas, é possível trabalhar com antecedência essa expectativa, buscando o maior número de informações sobre a gestação, o parto ou os cuidados com o bebê durante a gravidez. Participar de cursos de gestantes e reuniões com outros casais, orientar-se com o obstetra e pediatra ou por meio da extensa literatura disponível pode minimizar as dúvidas e a insegurança características desse período. Contar com a ajuda de alguém, no primeiro mês, também é uma boa saída para driblar as dificuldades dessa nova etapa da vida do casal. Uma pessoa que tenha vínculos afetivos com a recém-mamãe é o ideal, pois, além de ela auxiliar nos cuidados da casa e afazeres cotidianos, poderá dar um suporte moral nos momentos mais difíceis.

Essas providências certamente facilitarão a rotina das primeiras semanas com o bebê. Afinal, as dúvidas são intermináveis. A hora de colocar o bebê para mamar, a melhor maneira de fazê-lo arrotar, trocar a fralda antes ou depois da mamada são apenas algumas delas. Também não é nada incomum que, na primeira noite da criança em casa, os pais fiquem em vigília olhando o seu bebê. “Exatamente por isso é sempre bom para o casal exercitar a intimidade com o bebê na própria maternidade, dessa forma amenizando a insegurança do primeiro contato. Aos poucos, os pais vão conhecendo seu filho e aprendendo com ele a melhor maneira de cuidá-lo”, aconselha Regina Andrade, supervisora do berçário do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Cólica – Uma das maiores preocupações do casal na estréia do seu novo papel é o choro do bebê, que pode ser frequente nos primeiros dias. A calma será fundamental para lidar com essa situação. Se os pais estiverem tensos e nervosos, dificilmente vão conseguir tranquilizar o recém-nascido. Seu choro pode sinalizar fome, frio ou calor, fralda suja, posição desconfortável, roupas apertadas, necessidade de arrotar, excesso de barulho ou iluminação, sono e dor. A cólica, um dos problemas mais comuns entre os bebês menores, é facilmente identificada. O choro é mais agudo e intenso e a criança estica as pernas e fica com o rostinho vermelho. Geralmente, essas cólicas se estendem até o terceiro mês e podem ser causadas pela ingestão de ar durante a mamada e pelo próprio amadurecimento do aparelho digestivo do bebê. Aquecer a região do abdome da criança ajuda a amenizar as contrações. Isso pode ser feito com a colocação de bolsas térmicas ou fraldas de pano aquecidas com ferro de passar.

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