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A inevitável separação
A qualidade da relação entre mãe e filho é a chave para facilitar o retorno da mãe ao trabalho

Ilustração: Roberto Weigand

O retorno da mãe ao trabalho é um capítulo marcante na vida da mulher e da criança. Depois de passar pelo menos os quatro meses de licença-maternidade juntos dia e noite, é hora da primeira grande separação. Em geral, o período é marcado por expectativa, stress e angústia por parte da mãe. Primeiro porque ela terá de dividir o acompanhamento do filho com outra pessoa – seja a babá, seja um parente, seja uma berçarista. A escolha da melhor opção gera incertezas. Mesmo depois da decisão, ainda paira a dúvida se ela foi correta ou não. Sempre haverá inquietações sobre a reação do bebê. É comum a mãe se preocupar com a possibilidade de a criança se apegar mais à pessoa que ficará tomando conta dela. Também há ainda a expectativa da volta ao mercado de trabalho. Afinal, no tempo em que passou afastada, a mãe se dedicou quase exclusivamente à criança. Seu universo foi preenchido por fraldas, amamentação e cólicas. Como encarar de novo a mesa do escritório, as novidades e, ainda por cima, conviver com a saudade do bebê que deixou em casa?

Na verdade, os efeitos da primeira separação dependerão muito da maneira como a mulher administra a relação com o bebê. No seu consultório, o pediatra Marcelo Silber, de São Paulo, observa dois tipos de mães. A que tem uma ligação intensa com o filho e, portanto, sofre em demasia ao fim da licença-maternidade e a que também zela pela sua própria realização pessoal e trabalha o elo afetivo de uma forma mais leve. Nesse caso, a saudade funcionará como elemento positivo, aprimorando a qualidade da relação com a criança. “Quanto ao bebê, a troca com a mãe é preponderante. Ele vai sentir a sua falta, porém a intensidade dependerá de como a mãe lida com a situação e remete isso à criança”, afirma Silber.

DICAS PARA ADMINISTRAR A SITUAÇÃO
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O especialista tem razão. O cuidado na escolha de quem cuidará do bebê e a certeza de que ele estará em mãos seguras não neutralizam, na maioria das vezes, o sentimento de culpa que boa parte das mães experimenta ao retomar às atividades profissionais. Na opinião de Anne Lise Silveira Scappaticci, professora de terapia familiar da Universidade de São Paulo, é possível amenizar esse sentimento característico. Trabalhar a ansiedade e se apoiar no vínculo que estabeleceu com o filho nos meses em que puderam estar juntos é a recomendação dada pela psicanalista. Ela garante que, se o contato inicial entre os dois foi bom, prazeroso e especial, o bebê terá uma base sólida para tolerar essa separação, que é puramente física. E, é claro, as mães devem fazer o possível para passar boa parte do tempo livre com a criança, por mais cansadas que estejam.

Para as mães mais ansiosas, que receiam competir com quem estará cuidando da criança, a pediatra Ana Maria de Ulhoa Escobar, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, dá o seguinte recado. “A mãe é insubstituível. A criança pode se divertir à vontade na escolinha, ser apegada a uma funcionária em especial e com ela dar grandes risadas, mas o sorriso que ela esboçará ao ver o rosto da mãe é diferente, é iluminado”, afirma.

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