Linguagem
 
 

As primeiras palavras
As noções da fala são adquiridas pela criança quando ela
ainda está na barriga da mãe

Alguns momentos da vida do bebê são inesquecíveis para os pais. O primeiro passo, o primeiro sorriso e, é claro, a primeira palavra ficam na memória para sempre. Mas os papais nem imaginam o trabalho que o bebê teve até saber exatamente o que estava dizendo. Por um ano, o pequeno cientista produziu e comparou sons e experimentou o impacto das ondas sonoras no ambiente. Apesar de seu cérebro estar pronto para o aprendizado, faltava à criança experiência de vida, essencial para que pudesse falar. Foi por isso que ela demorou quase um ano até conseguir articular o primeiro mamã. Mesmo assim, o bebê se divertiu muito com as descobertas.

A criança começa a adquirir noções de linguagem ainda na vida intra-uterina. Aos cinco meses de gestação, toda vez que ouve a voz da mãe cantando ou conversando com ela, por exemplo, seu minúsculo cérebro, com somente 50 gramas, trabalha incansavelmente, estabelecendo sinapses (ligações entre os neurônios, as células nervosas). Elas formarão uma complexa rede de conexões por onde circularão informações processadas no cérebro. Os estímulos e sensações que o bebê experimentou durante a fase intra-uterina ficarão registrados em sua memória. Ao nascer, esses arquivos darão sua contribuição para que se adapte com maior facilidade ao mundo externo, já que reconhece aquilo que registrou. “Quanto mais for estimulado durante a gestação, mais facilidade o bebê terá de reconhecer a voz materna, o que será importante para o seu desenvolvimento, incluindo a aquisição da linguagem”, explica a fonoaudióloga Tatiana Palmieri.

Os estímulos devem continuar após o nascimento. “Na criança, quanto maior o estímulo, maior o número de circuitos neuronais criados. É fundamental não só para o processo de aprendizado de uma forma geral como também para a preservação da vida de inúmeros neurônios, pois aqueles que não se conectam acabam morrendo prematuramente”, avisa o neuropediatra Rubens Wajnsztejn, professor da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo.

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