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Fantásticas
conexões
A
formação do cérebro do bebê é uma jornada que
se inicia ainda no útero e se prolonga pelo resto da vida
| Ilustração:
Roberto Weigand |
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Poucos
órgãos humanos são tão complexos
e ao mesmo tempo tão delicados quanto o cérebro.
Fascinante, é o centro processador das emoções,
do pensamento, da maneira como cada um encara e responde ao
mundo à sua volta. É por isso mesmo que, cada
vez mais, a ciência se dedica a desvendá-lo.
Essa empreitada envolve o desejo de esmiuçar o desenvolvimento
cerebral desde os primeiros dias de vida intra-uterina. A
partir da terceira semana de gestação, o cérebro
já começa a ser formado, num processo de aprimoramento
que permitirá o aprendizado até o final da vida.
As
descobertas feitas até agora sobre o ritmo dessa viagem
de crescimento e amadurecimento são fantásticas.
De acordo com o neurologista infantil Mauro Muszkat, professor
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 50%
do desenvolvimento cerebral se dá até o primeiro
ano de vida. Por isso, os problemas que ocorrem com
a gestante podem ter uma repercussão muito grande na
formação do cérebro do feto, explica.
Os problemas a que o especialista se refere são principalmente
o uso de drogas e de álcool, a desnutrição
materna severa e a exposição à radiação.
Mães alcoólatras podem ter filhos com
malformações cerebrais e faciais. Não
sabemos qual é a quantidade de álcool capaz
de afetar o embrião, nem o que significa abuso. É
por essa razão que a Sociedade Americana de Pediatria
recomenda que a gestante não tome bebidas alcoólicas
durante a gravidez, esclarece Luiz Celso Vilanova, chefe
do setor de neurologia infantil da Unifesp. O cigarro não
causa malformação. No entanto, filhos de fumantes
costumam nascer com baixo peso, característica que
deixa a criança mais suscetível a lesões
cerebrais no momento do parto e implica menor resistência
a infecções. O stress materno também
parece ter impacto no desenvolvimento mental do bebê,
conforme conclusão de pesquisadores do Centro Médico
Universitário Utrecht, na Holanda. Os cientistas afirmam
ser provável que os hormônios liberados pela
mãe em situações de stress entrem na
circulação do feto e prejudiquem o desenvolvimento
cerebral.
Cronologia
O que também já se sabe é
que a formação do cérebro segue um programa
biológico, geneticamente determinado e que obedece
a uma cronologia bastante precisa. Por isso, ainda dentro
do ventre da mãe, o bebê já possui algumas
capacidades. Não temos condições
de saber o que ele percebe dentro do útero. É
certo que escuta os sons do organismo da mãe, como
o sangue fluindo pelas veias, a respiração,
a movimentação dos intestinos, explica
José Luiz Gherpelli, integrante da Associação
Brasileira de Pediatria e especialista em neurologia infantil.
O médico confirma ainda que, dentro do útero,
os bebês sugam, deglutem, soluçam e fazem os
movimentos respiratórios. O resultado desse mecanismo
perfeito é que, quando o bebê vem ao mundo, já
está habilitado para muitas coisas, embora não
pareça. A criança nasce com capacidade
de ver, ouvir e de sentir cheiros e gostos, diz o especialista.
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