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Cada dólar investido em pesquisa
gera retorno de US$ 9 à empresa |
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Petróleo 100% brasileiro /
Pesquisa e desenvolvimento |
| Visão do amanhã |
A Petrobras prepara novos saltos
tecnológicos em produção de
petróleo e geração de energia |
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Qual o retorno obtido com
investimentos pesados em pesquisa
e desenvolvimento? No caso da Petrobras, há várias
respostas possíveis. A primeira delas é: sem domínio
tecnológico, sobretudo da produção de petróleo
em águas profundas, a empresa e o País não
teriam alcançado a auto-suficiência. Também
os prêmios internacionais recebidos pela companhia ao longo
dos últimos anos – seja pelas conquistas em águas
profundas, seja pelos resultados no refino – e o reconhecimento
internacional como referência em tecnologia podem indicar
que os recursos foram bem aplicados. Há ainda as estimativas
econômicas desse retorno. Calcula-se, por exemplo, que cada
dólar investido nessa área gere benefícios
futuros da ordem de US$ 9 a US$ 10. Os resultados são ainda
mais significativos considerando-se que são feitas pelo Cenpes,
anualmente, aplicações de US$ 500 milhões.
“Estas são estimativas, mas o retorno é tão
grande que chega a ser inestimável. Afinal, quando se investe
em tecnologia, se investe por conta da crença de que o conhecimento
é fator de sucesso. Ter pessoas capazes, treinadas, com infra-estrutura
adequada, dá retorno para qualquer negócio”,
afirma o engenheiro Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo do Cenpes.
Segundo ele, quatro projetos em desenvolvimento poderão entrar,
no prazo de até cinco anos, para a história da Petrobras.
Fraga destaca os novos conceitos de plataformas marítimas,
que permitem a extração de petróleo a três
mil metros de profundidade, fruto do Programa Tecnológico
em Sistemas de Exploração em águas Ultraprofundas
(Procap-3000). Os trabalhos em curso no Cenpes têm como alvo
a conquista, até o próximo ano, do domínio
tecnológico de produção até este novo
limite. Esse avanço está ancorado em alguns projetos
de peso: a plataforma cilíndrica MonoBR e o navio de produção
FPSO-BR, ou P-57, com dispositivos que reduzem o movimento em alto-mar.
O Cenpes trabalha ainda para intensificar o uso de sistemas submarinos
de produção de petróleo. A idéia é
que, depois de extraído, o petróleo seja separado,
ainda no fundo do mar, da água que sai com ele. O petróleo
é transferido para o convés da plataforma sem a água,
que é reinjetada no campo.
A Petrobras também não abre mão de buscar
as energias alternativas. Um de
seus projetos de destaque é o de uso intensivo da biomassa
como matéria-prima
no processo do refino ou da petroquímica. Esse projeto é
fruto da estratégia
adotada no final da década de 90 de tornar-se uma empresa
de energia. Para tanto, o Cenpes criou uma área voltada para
gás natural e energias renováveis, que teve, nos dois
últimos anos, seu orçamento quintuplicado. Não
por acaso, Fraga aposta que o quarto salto será a transformação
do gás natural em líquido ainda nas instalações
marítimas sem a necessidade de transportá-lo para
terra, reduzindo custos operacionais.
Hoje o número de programas conduzidos pelo Cenpes chega
a 12, muitos dos
quais já se revelaram bem-sucedidos: Profex (de Fronteiras
Exploratórias), Procap (de Sistemas de Exploração
em Águas Ultraprofundas), Pravap (de Recuperação
Avançada de Petróleo) e Propes (de Óleos Pesados).
A auto-suficiência teria sido impossível sem o Procap,
idealizado para viabilizar a produção em profundidades
marítimas de 1.000 metros. Isso porque 70% do petróleo
produzido no Brasil
saem de águas profundas e ultraprofundas. Já o Pravap
permitiu que os campos mais maduros pudessem manter, e até
elevar, a produtividade. O Propes é considerado peça-chave
para a manutenção da auto-suficiência. Seu alvo
é a recuperação de petróleo pesado,
que pelas suas características é difícil de
extrair de grandes profundidades.
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Petrobras na F-1:
ciência
aplicada ao combustível |
No interior do Cenpes há quem possa se sentir inserido no mundo da ficção. O que diria, por exemplo, um estranho no mundo do petróleo depois de entrar em uma das 12 salas de “visualização” da Petrobras, onde especialistas em produção interagem a partir de enormes telas e, em tempo real, mudam os projetos, corrigindo-os e ajustando-os às melhores condições técnicas e econômicas? O trabalho já faz parte da rotina da instituição. O que se vislumbra, de cinco a dez anos, é que os especialistas possam receber informações sobre as unidades de produção e interagir com os sistemas instalados em regiões mais remotas. Da lista dos programas futurísticos para a área de exploração consta a tarefa de desenvolver ferramentas computacionais e modelagens matemáticas capazes de reproduzir o que ocorreu na natureza há milhões de anos. O objetivo é identificar que condições foram propícias para a geração e existência de petróleo e sua localização precisa.
As metas do Cenpes se diversificam: conseguir extrair petróleos pesados das águas profundas e ultraprofundas; desenvolver novas concepções para dutos e embarcações; aumentar a recuperação de campos maduros; processar petróleos pesados; gerar combustíveis com qualidade e sem danos ambientais; transformar o gás natural em líquido; reduzir o custo e descobrir novas rotas de produção de biocombustíveis; atender e se antecipar aos requisitos ambientais. É nesse ritmo que a Petrobras tem chegado a números e resultados sem paralelos na sua história de quase 53 anos. No universo da distribuição de derivados, por exemplo, a companhia tem se destacado com a gasolina Podium, lançada em 2002, fruto dos produtos desenvolvidos para a Fórmula 1, do qual faz parte desde 1998, a parceria com a equipe Williams F1. “A Podium incorpora todo o aprendizado da Petrobras no processo de formulação da gasolina de Fórmula 1”, comenta Fraga, ao enumerar as vantagens da Podium: menor teor de enxofre, entre todas as gasolinas tipo Premium no mundo, menor teor de depósito de resíduo em válvulas e melhor desempenho em motores (maior octanagem).
US$ 500 milhões por ano são aplicados pelo Cenpes

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