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Petróleo 100% brasileiro
Robôs pretoleiros
A nova geração de equipamentos
criada pelos inventores da Petrobras

No Laboratório de Robótica do Cenpes, pesquisadores desenvolvem projetos dignos de um filme de ficção científica. Lá, material usado em aulas de arte serve para produzir o rascunho de protótipos, que mais tarde ganham forma nos computadores. Dois deles já fazem parte da história da Petrobras: os robôs G.I.R.I.N.O. e Ambiental Híbrido, inspirados na natureza e criados pelo engenheiro Ney Robinson, do Cenpes, e sua equipe. “Crescemos muito rapidamente na pesquisa de petróleo no mar e precisávamos de veículos de operação remota. No laboratório, desenvolvemos ferramentas para intervenções submarinas em águas profundas – equipamentos especiais que não existem em lugar nenhum no mundo”, diz Robinson.

A arquitetura do G.I.R.I.N.O. (sigla que significa Gabarito Interno Robotizado de Incidência Normal ao Oleoduto) foi inspirada na facilidade de deslocamento das larvas filhotes de sapo. O robô foi criado a partir de um caso crítico de entupimento em um oleoduto, ocorrido na Bacia de Campos, em 1997. Na ocasião, Robinson passou à pesquisa em busca de um equipamento que possibilitasse o deslocamento por dentro dos dutos e a movimentação de ferramentas dedicadas às operações de desobstrução e inspeções internas de malhas tubulares. No ano seguinte, a invenção foi patenteada. Em 2000, no Congresso de Óleo e Gás, recebeu prêmio de melhor projeto na área de equipamentos. “Construí um protótipo muito simples com papelão, mola de uma caneta esferográfica, clipes e alfinetes, mas com todas as funções ‘emprestadas’ da natureza. O projeto foi bem aceito e, em 2001, num teste de campo, provamos que o equipamento funcionava e que tinha potencial. Não houve entupimentos desde então, mas o mais importante é que desenvolvemos esta nova tecnologia com massa crítica brasileira. A partir dessa nova realidade, estamos criando outras ferramentas para outros fins. Literalmente, abrimos a possibilidade de fazer operações intrusivas em tempo real dentro de dutos, já que o equipamento é controlado remotamente”, comenta.

Banco de Imagens da Petrobras
G.i.r.i.n.o.: inspirado na larva
do sapo, protótipo pode fazer inspeções e reparos no interior
de dutos

Outra invenção de grande potencial da equipe de Robinson, composta por 12 profissionais, é o robô Ambiental Híbrido, em fase de testes. A Petrobras, por meio do Projeto COGNITUS, pretende usá-lo para ajudar no trabalho de conhecimento da região amazônica, em função da construção do gasoduto que ligará Coari a Manaus, com cerca de 420 quilômetros de extensão. A idéia é que o robô estenda a capacidade de deslocamento dos pesquisadores para locais inóspitos. “O robô – já patenteado – deverá lidar com diferenças de nível dos rios da região amazônica, que podem chegar a 15 metros entre os períodos de cheia e seca. Ele é capaz de flutuar na água dos rios, superar as regiões de interface – normalmente cobertas de plantas aquáticas – e andar em terra firme. Frente a tudo o robô deverá mudar sua arquitetura, de acordo com a necessidade”, informa Robinson. Também manipulado por controle remoto, o Ambiental Híbrido possui um manipulador (espécie de braço), um sensor para medir os parâmetros da água, um coletor e analisador à distância de larvas de mosquito e o recurso da visão por meio de duas câmeras acopladas.

Papelão, clipes e parafusos convivem com
computadores no Laboratório de Robótica