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Ampliação: as refinarias existentes serão ampliadas e novas unidades serão instaladas no Brasil e adquiridas no Exterior  
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Petróleo 100% brasileiro / Derivados
Investindo no futuro

Petrobras prepara megainvestimento para amplia
a capacidade de refino no mercado brasileiro.
A meta é chegar em 2010 processando 90%
de petróleo pesado extraído no País

Depois de 26 anos – a refinaria Henrique Lage foi a última instalada no País, em 1980 – a Petrobras decidiu apostar novamente no refino. Até 2010 estão previstos US$ 8 bilhões de investimentos apenas nessa área. A intenção é, daqui a quatro anos, importar apenas 10% do petróleo necessário para atender o mercado interno e, até lá, preparar o parque de refino para processar 90% do petróleo retirado de seus próprios campos. “O grande boom do investimento no refino é agora. Na década de 90, não houve grandes investimentos. O interesse cresceu a partir de 2003”, comemora o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Na prática, atingir o porcentual de 90% de petróleo nacional na carga processada pelas refinarias significa reduzir as importações de derivados, o que terá efeito positivo para as contas externas (via superávit da balança comercial) e para o consumidor, que terá maior estabilidade de preços. “Quanto mais produzirmos e processarmos no Brasil, menos necessidade teremos de importar”, destaca Costa. Com tecnologia de ponta e investimentos vultosos, o plano da Petrobras vai além de otimizar o refino do petróleo pesado – o mais extraído nos campos brasileiros. Atender às novas tendências do mercado interno e assegurar a qualidade futura ao óleo diesel e à gasolina estão também entre as metas da companhia. Todas essas mudanças têm um motivo: o refino é a mola mestra para a garantia do abastecimento de derivados de petróleo de qualidade. E todos esses planos passam pela estratégia da Petrobras de ajustar suas refinarias ao uso do petróleo nacional, cuja produção aumentou significativamente na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, a partir da década de 1990.

O objetivo é reduzir a dependência
das importações e melhorar a
qualidade dos derivados nacionais

Hoje, apesar de o Brasil ter atingido a auto-suficiência na produção de petróleo, a Petrobras continuará importando o produto. Motivo: o parque de refino brasileiro foi projetado, no passado, para processar o petróleo importado, do tipo leve, que rende mais derivados nobres, como nafta, óleo diesel e querosene de aviação. Por isso, o Brasil ainda precisa importar petróleo leve para fazer o blending (mistura) com o petróleo pesado para atender às necessidades do mercado interno. Mas isso já está mudando. Em 2005, as refinarias da Petrobras processaram 80% de petróleo nacional. Este ano, o porcentual será ampliado para 82%, chegando aos 90% em 2010, ou seja, a 1,7 milhão de barris por dia de petróleo, para uma capacidade total prevista de dois milhões de barris por dia. Essas mudanças já foram até sentidas na balança comercial. Em 2004, o déficit no setor de petróleo somou US$ 3,1 bilhões. Em 2005, o saldo negativo caiu para US$ 130 milhões. Para 2006, espera-se um superávit de US$ 3 bilhões, resultante do aumento das exportações de petróleo e derivados, e também da redução das importações desses produtos. “Isso é extraordinário. Se contabilizarmos os dois últimos anos, tivemos um ganho de US$ 6 bilhões”, diz Costa.

Para atingir esse objetivo – de aproveitar melhor o petróleo nacional (do tipo pesado) – a Petrobras traçou planos ambiciosos. O primeiro deles será a implantação de cinco unidades de coqueamento retardado, as UCRs, que permitirão a produção de derivados de petróleo mais nobres. Esse projeto, sozinho, receberá 25%, ou US$ 2 bilhões, do total de US$ 8 bilhões destinados ao programa de refino da estatal. Essas unidades aumentarão a produtividade do processamento do petróleo pesado e possibilitarão a fabricação de derivados com maior valor agregado. A primeira unidade será inaugurada em julho deste ano na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada no Rio Grande do Sul. Nos próximos anos, entrarão em operação as unidades de Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, Henrique Lage (Revap), em São Paulo, Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Segundo Costa, a meta da Petrobras será fabricar produtos de alto valor agregado. Ou seja, a unidade de coqueamento recebe a matéria-prima, uma espécie de óleo combustível que é transformado em um terço de óleo diesel, um terço de gasolina, GLP e nafta, mais um terço de coque, que é um combustível sólido. Além disso, o volume excedente de coque poderá ser vendido para indústrias como a siderúrgica, a metalúrgica e cimenteira, grandes consumidoras desse tipo de combustível. Hoje, a Petrobras produz metade do que é demandado pelo mercado brasileiro. “Haverá mercado para tudo o que for produzido aqui”, afirma o gerente executivo de refino da Petrobras, Alan Kardec.

Rogério Reis
Reduc: empregados
da Petrobras na sala
de controle

A lista de prioridades continua. A Petrobras pretende ainda instalar uma nova refinaria em Pernambuco e construir um complexo petroquímico em Itaboraí, o Comperj, no Estado do Rio de Janeiro. Também vai destinar US$ 3,2 bilhões (ou 41%) do total dos investimentos previstos até 2010 em programas de qualidade. O plano de expansão prevê um aumento de 14 para 39 no número de unidades de hidrotratamento, que reduzem o teor de enxofre do diesel e da gasolina e, conseqüentemente, os riscos ambientais. Outros US$ 2,8 bilhões serão usados para aumentar a capacidade de processamento, manutenção de infra-estrutura e ações integradas de segurança, meio ambiente e saúde. Além disso, paralelamente, a Petrobras vai apostar no mercado externo, reforçando sua presença nas refinarias onde já tem participação. A empresa adquiriu da norte americana Astra Oil 50% da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Esse é um empreendimento avaliado em US$ 370 milhões, com capacidade para processar 100 mil barris por dia, dos quais 20% são de petróleo pesado. “A Petrobras pretende também adquirir refinarias no Exterior”, comenta Costa. O foco são os EUA e a Europa, além do mercado asiático.

US$ 8 bilhões é quanto a Petrobras vai investir em refino até 2010

Produção nacional de derivados

39% foi o porcentual de diesel produzido no mercado brasileiro em 2005

17% da produção das refinarias brasileiras no ano passado resultou em gasolina

13% da produção nacional de derivados foi de nafta e querosene de aviação

17% foi o porcentual de óleo combustível produzido em 2005 pelas refinarias brasileiras