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J. Valpereiro/Banco de Imagens Petrobras  
1,95 milhão de barris de petróleo por dia é a capacidade de refino da Petrobras  
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Petróleo 100% brasileiro / História
Abastecimento
garantido
Decisão da Petrobras de criar
um parque nacional de refinarias
mudou radicalmente a balança
comercial brasileira e gerou
recursos para investimentos em
exploração de petróleo no País

Quando a Petrobras foi criada, em 1953, o Brasil produzia muito pouco petróleo, mas também importava pouco. Na época, o País dependia das compras feitas no Exterior. Porém, em vez de adquirir matéria-prima, trazia grandes volumes de derivados de petróleo – produtos beneficiados, com valor agregado, e, portanto, com peso muito maior na balança comercial brasileira. Para ser preciso: do total importado, então, pelo Brasil, 98% eram derivados e apenas 2% petróleo cru. Com a entrada da Petrobras no cenário econômico, esse quadro foi transformado completamente. A empresa, desde os seus primeiros anos, optou pela instalação de um parque nacional de refino, produzindo aqui o que antes se comprava no exterior. Resultado: já em 1967, a proporção das importações havia virado radicalmente, passando a 8% de derivados e 92% de petróleo. E, com a economia gerada na balança de pagamentos, a Petrobras conseguiu gerar recursos para viabilizar a empresa, podendo direcionar maiores investimentos para a exploração de petróleo no País.

Banco de Imagens Petrobras
1951 – A pioneira: obras de
construção da Refinaria Nacional
de Petróleo, no Recôncavo Baiano,
a primeira com recursos estatais.
Depois renomeada Refinaria de
Mataripe e, a seguir, Landulpho Alves, processava 2.500 barris de petróleo/dia

A história do refino no Brasil começou, porém, duas décadas antes da criação da Petrobras, inicialmente de forma modesta. Em 1933, entrou em operação em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, a Destilaria Sul-Riograndense. Era particular e refinava, por um processo de destilação simples, cerca de 150 barris de petróleo por dia, vindos da Argentina -- na época, todo o petróleo bruto processado no País era importado. Em 1937, surgiram mais duas refinarias, também privadas: uma em São Paulo, pertencente às Indústrias Matarazzo, e a outra em Rio Grande, a Refinaria Ipiranga, do mesmo grupo da destilaria de Uruguaiana.

O primeiro investimento estatal na área ocorreria em 1950, 12 anos depois da criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP). No rastro das descobertas que começavam a proliferar no Recôncavo Baiano, o CNP instalou na região sua refinaria pioneira. Chamava-se Refinaria Nacional de Petróleo – depois renomeada Refinaria de Mataripe e, a seguir, Refinaria Landulpho Alves. Foi a primeira unidade com destilação e craqueamento térmico combinados, e tinha capacidade para processar até 2.500 barris de petróleo bruto por dia. Três anos mais tarde, a lei que criou a Petrobras incluiu o refino entre atividades definidas como monopólio estatal. Mesmo assim, as concessões anteriores foram mantidas, inclusive em relação às refinarias então em construção: Refinaria União, em Capuava, SP, e Manguinhos, no Rio de Janeiro, ambas de 1954, e a Refinaria de Manaus, de 1956. A segunda refinaria estatal – a Presidente Bernardes, em Cubatão, SP –, que estava em construção quando a Petrobras foi criada, começou a operar em 1955. A opção estratégica inicial da Petrobras foi pela ampliação do parque de refino. Sem descuidar da exploração terrestre, a empresa empenhou-se em conquistar a auto-suficiência na produção de derivados básicos: garantir o pleno abastecimento de produtos ao mercado era questão também considerada de interesse nacional, para diminuir a sangria de divisas com a importação.

Entre 1954 e 1973, o preço do petróleo manteve-se estável no mercado internacional. Em 1955, custava cerca de US$ 3 por barril, valor que só viabilizava sua produção
em campos terrestres e com reservas elevadas de baixo custo de exploração e produção. Por outro lado, os derivados importados custavam no porto brasileiro
cerca de US$ 5 por barril: uma diferença de US$ 2 por barril, indicando por
onde escoavam as divisas do País. Ao construir grandes refinarias, a Petrobras conseguiu não só garantir o abastecimento de derivados a custos mais baixos
como gerar recursos financeiros para investir na exploração de petróleo. Além da implantação do parque de refino, a empresa decidiu criar uma infra-estrutura de abastecimento, com a melhoria da rede de transporte e a instalação de terminais
em pontos estratégicos do País.

Banco de Imagens Petrobras
2006 – Ainda moderna: Investimentos vultosos da Petrobras em tecnologia
e reaparelhamento fazem com que
a Refinaria Landulpho Alves seja hoje
a segunda do País. A capacidade instalada de refino da unidade é
de 307 mil barris/dia

Nos dez primeiros anos de
atuação da Petrobras foi construída
a Refinaria Duque de Caxias, RJ
(1961), e ampliada a Refinaria
Presidente Bernardes, SP, visando a
auto-suficiência na produção de derivados básicos, sobretudo para atender à expansão da demanda de gasolina à época em que se implantava a indústria automobilística brasileira. Essas seriam as duas primeiras refinarias de grande porte no Brasil, com capacidade para processar um total de 135 mil barris diários de petróleo. Em 1963, o governo federal decidiu conferir exclusividade à Petrobras para a importação de petróleo e derivados, o que permitiu à empresa efetuar negociações que acarretaram grande economia de divisas. Nas décadas de 60 e 70, quando foi consolidado o processo de industrialização brasileiro, a Petrobras partiu para a construção de novas unidades de refino: Gabriel Passos (MG), Alberto Pasqualini (RS), Planalto (SP) e Presidente Getúlio Vargas (PR). A Fábrica de Asfalto de Fortaleza, hoje Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste, iniciou suas operações em 1966. Em 1972, foi a vez da usina protótipo de processamento de xisto, em São Mateus do Sul, no Paraná -- a entrada em operação do módulo industrial, em 1991, representou a consolidação da tecnologia Petrobras de extração do óleo de xisto. A implantação do parque de refino prosseguiu em 1974, quando a Petrobras comprou as refinarias de Capuava e de Manaus. E em 1980, foi inaugurada a Refinaria Henrique Lage, em São Paulo. O caminho para a auto-suficiência também em derivados de petróleo estava pavimentado.

Em 1953, Brasil importava 98% em derivados e só 2% em petróleo