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Petróleo 100% brasileiro / Entrevista
Responsabilidade em dobro

São grandes as conquistas da Petrobras
no cenário da auto-suficiência. Além de
passar a produzir este ano um volume
médio de 1,91 milhão de barris diários
para uma demanda entre 1,85 milhão e
1,9 milhão de barris, as exportações de
petróleo e derivados serão superiores às importações. E, com os projetos a serem implantados até 2010, a tendência é de
crescimento do superávit. “Essa marca
histórica representa mais uma afirmação
da soberania nacional”, afirma o diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella. A seguir, a entrevista:

Como o sr. vê a conquista da auto-suficiência?
Guilherme Estrella –
Sempre consideramos a conquista da auto-suficiência a grande missão da companhia. Começamos praticamente do zero, com um pequeno patrimônio herdado do Conselho Nacional do Petróleo e de incipientes informações geológicas, obtidas graças ao trabalho de alguns pioneiros. Chegar a essa marca com a construção de uma estrutura tecnológica e financeira sólida é uma demonstração irrefutável da capacidade de realização do nosso povo.

Qual o significado, além das vantagens econômicas para o País?
Estrella –
Mais importante do que chegar à auto-suficiência é mantê-la para os próximos anos, o que aumenta os desafios. Muito importantes foram também o conhecimento técnico-científico brasileiro representado pelas nossas universidades e a participação da indústria nacional.

Como tornar sustentável a auto-suficiência?
Estrella –
Descobrimos petróleo suficiente para aumentar a produção, repor
os volumes produzidos e ainda aumentar as reservas. Com as descobertas
já comprovadas podemos garantir a sustentabilidade para os próximos dez
anos e ainda dispomos de blocos exploratórios com excelentes perspectivas
de descobertas.

Quais os desafios para os próximos anos?
Estrella –
Implementar, até 2010, grandes projetos de produção, com plataformas de alta tecnologia, em águas profundas e ultraprofundas, e continuar descobrindo novos campos para manter a auto-suficiência.

Além das bacias já produtoras, a estratégia da Petrobras para a área
de exploração prevê outras vertentes de atuação?
Estrella –
Um grande esforço em áreas de fronteira, onde ainda não se realizaram descobertas, e aumentar o fator de recuperação dos campos maduros. Para esse programa serão investidos, até 2010, US$ 28 bilhões.

Por que a companhia já anunciou volumes de produção superiores à demanda nacional, mas não falou em auto-suficiência?
Estrella –
Em 2005 produzimos volumes iguais à demanda nacional, mas conceituamos que a auto-suficiência sustentável é aquela que considera a produção média anual superior ao consumo. Em 2006, o volume médio chegará a 1,91 milhão de barris diários para uma demanda em torno dos 1,85 milhão de barris/dia.

Quais as previsões para um horizonte mais à frente?
Estrella –
Com os projetos a serem implantados até 2010 as curvas de produção
e consumo estarão mais afastadas, aumentando o superávit. A previsão é de
uma produção média de 2,30 milhões de barris/dia e de uma demanda de
2,06 milhões de barris/dia.

O Presidente Lula prometeu construir plataformas no Brasil. A companhia
está seguindo essa orientação?
Estrella –
Incluímos nos editais a obrigatoriedade de conteúdos nacionais mínimos. Nas plataformas em construção a participação média nacional é de 65%, enquanto antes era de 35%.

Como o sr. vê a internacionalização crescente da Petrobras?
Estrella –
Somos uma empresa empreendedora e reconhecida internacionalmente por sua solidez financeira e excelência operacional, onde desponta a capacitação em exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas aplicada também além de nossas fronteiras. Por mais que a Petrobras se globalize, e isso é altamente positivo, nosso maior ativo é o mercado brasileiro. Por isso, atendê-lo integralmente é nosso objetivo permanente.