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Getúlio Vargas e o petróleo:
o presidente destacou a criação
da Petrobras como “marco da
nossa independência econômica |
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| Repercussão |
| As páginas da história |
Criação da Petrobras teve cobertura
modesta da imprensa |
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Para o presidente da República, Getúlio Vargas, não era um dia qualquer. O sábado 3 de outubro de 1953 marcaria a passagem do terceiro aniversário da eleição presidencial de 1950, que determinou sua volta ao poder. Para a história, a data entrou com novo significado. Vargas a escolheu para assinar a Lei nº 2004, que definia a instituição do monopólio estatal do petróleo e a criação da Petrobras. A importância do ato, que atendia ao clamor popular gerado pela campanha “O petróleo é nosso”, não foi, no entanto, proporcional ao destaque dado a ele, na época, pela imprensa do Rio de Janeiro. Já de olho na sucessão presidencial de 1954 e vivendo dias de fogo cerrado ao presidente, a maior parte dos diários optou por outros temas ao escolher as manchetes do dia.
O Globo daquele 3 de outubro, por exemplo, destacou uma
exposição do ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha,
na Câmara, sobre o esforço para recuperar as finanças
do País. Registrou, porém, em uma chamada de 15 linhas,
que “o Presidente da República falará à
Nação, hoje, às 19h30min, através da
Voz do Brasil, diretamente do Palácio do Catete. Empresta-se
à oração presidencial grande importância,
sabendo-se que o Sr. Getúlio Vargas fará um balanço
das atividades de seu Governo no corrente ano. Antes de falar à
Nação, o Chefe do Governo sancionará o decreto
de criação da Petrobras”.
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Sede da Petrobras: empresa
derrotou o pessimismo dos
primeiros prognósticos |
Já no Jornal do Brasil, o principal assunto nacional
foi uma reunião na Fazenda Galo Branco, em São José
dos Campos, à qual compareceriam o governador de São
Paulo, Lucas Garcez, o marechal Eurico Dutra, o brigadeiro Eduardo
Gomes e o general Canrobert Pereira da Costa. O JB informava
sobre a “intensa e compreensível expectativa dos círculos
políticos” em relação à reunião,
especulando a provável discussão da sucessão
presidencial. Mas informava, a seguir, sobre a “solenidade
no Palácio do Catete, durante a qual será sancionada
a lei que cria a Petrobras”. No dia seguinte, 4 de outubro,
o nascimento da empresa brasileira de petróleo teria maior
destaque. O texto da Lei nº 2004 foi publicado na íntegra
pelo jornal, que cobriu a solenidade no Palácio do Catete
e reproduziu o extenso discurso de Vargas.
O Diário de Notícias, em oposição
mais direta a Getúlio, preferiu ignorar a
criação da Petrobras, publicando naquele sábado,
como manchete de primeira página: “Recorrerá
o nosso país ao Fundo Monetário Internacional para
proceder ao pagamento inicial das dívidas com a Grã-Bretanha.
Satisfeitos os credores ingleses.”

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