 |
|
 |
 |
Plataforma em Campos (RJ):
produção de 1,9 milhão de barris
diários em todo o País hoje garante segurança
no abastecimento |
|
Petróleo 100% brasileiro
Vitória histórica |
O valor de
uma conquista |
Por que a auto-suficiência de
petróleo é tão importante para
o Brasil num momento em que
todos os países discutem as
alternativas à geração de energia |
 |
Uma realização humana pode ser medida por seu
impacto econômico, pelos benefícios sociais que produz
e também pelo grau de esforço em torno da meta
que havia sido traçada. A auto-suficiência brasileira na produção de petróleo, alcançada pela Petrobras em 2006, é um feito histórico por tudo isso e um pouco mais. A conquista torna a economia nacional mais sólida, garante milhões de empregos no País e coroa o esforço de uma infinidade de cientistas, que fizeram com que o Brasil superasse até a barreira geográfica – sem muitas reservas em solo, o País desenvolveu a melhor tecnologia do mundo para extrair petróleo de águas profundas. O aspecto mais importante dessa conquista, porém, é cultural. Ela representa a afirmação da capacidade brasileira de empreender e superar obstáculos. Há 53 anos, quando a Petrobras foi criada, poucos acreditavam que o sonho de independência seria realizado num espaço de tempo tão curto. Mas em 2006, com a Petrobras produzindo 1,9 milhão de barris/dia após a entrada em operação da plataforma P-50, o desafio estará vencido. “Estamos chegando lá com a sensação do dever cumprido, mas o mérito é de todos os funcionários que dedicaram as suas vidas à Petrobras”, diz o presidente José Sérgio Gabrielli de Azevedo.
 |
 |
Lula e os petroleiros:
conquista coloca
o Brasil no seleto clube dos países
que são capazes de suprir toda a
sua demanda interna |
Sob o ponto de vista econômico, esse feito equivale a deixar
de importar
US$ 40 bilhões por ano – e nunca é demais lembrar
que, há apenas dez
anos, metade do petróleo consumido
no País ainda era importado. Do ponto
de vista social, a cadeia do petróleo
já emprega mais de um milhão de pessoas e representa
10% do PIB –
nada menos que R$ 190 bilhões. Na
área científica, a Petrobras tem sido um celeiro para
o desenvolvimento de tecnologias e para o aperfeiçoamento
de profissionais qualificados.
Além de tudo isso, a auto-suficiência chega na hora certa. Reservas de petróleos são finitas. Num momento único da economia global, em que as perspectivas de desenvolvimento acelerado se espraiam por todos os cantos do planeta, essas reservas têm sido rapidamente consumidas e o resultado é o valor recorde do barril, que chegou a superar a cifra de US$ 60. E não há nada do horizonte que aponte para uma redução substancial de preços. Ou seja: se o Brasil não estivesse sendo capaz de suprir sua demanda, o fantasma de uma crise no balanço de pagamentos continuaria rondando o País.
 |
|
 |
 |
Gás natural: novas
descobertas tornam
a situação de abastecimento no País ainda
mais confortável |
|
Não é por outra razão que tantos países
estão debatendo formas de encontrar a independência
energética. No G-7, o grupo dos sete mais ricos do mundo,
só Canadá e Inglaterra são auto-suficientes.
Todos os outros buscam atenuar o problema. Nos Estados Unidos, o
presidente George W. Bush anunciou um ambicioso programa de biocombustíveis
– os americanos importam mais da metade do petróleo
que consomem. No Japão, que também é um importador
líquido, os combustíveis terão adição
de 5% de etanol. Por outro lado, países que já são
auto-suficientes, como a Rússia e o México, passaram
a ostentar posições cada vez mais sólidas de
balanço de pagamentos, o que os ajudou a se tornar investment
grade, ou seja, são países de risco baixo para
investidores externos.
A independência energética hoje também garante a segurança no abastecimento interno de combustíveis. E o melhor é que a Petrobras se tornou há quatro décadas auto-suficiente na produção de derivados básicos e já descobriu jazidas suficientes para assegurar a autonomia por mais dez anos. Até 2010, estarão sendo investidos US$ 56,4 bilhões em todas as suas atividades. Essa situação confortável também permite uma administração de preços com benefícios ao consumidor. Em vez de apenas acompanhar o sobe-e-desce do valor do barril, a Petrobras agora tem margem de manobra para amortecer os choques internacionais – é o que garante o presidente Gabrielli. E o mais surpreendente é que, em pouquíssimo tempo, o Brasil passará a ser um exportador líquido de petróleo. É um feito e tanto para a Petrobras, uma empresa que, ao longo de toda sua história, superou preconceitos, venceu barreiras geográficas e é hoje o grande dínamo da economia brasileira.
1,91 Milhão de barris é a produção
diária da Petrobras, com a entrada em
operação da plataforma P-50
O plano de investimentos da empresa prevê o desembolso de
US$ 56,4 bilhões até 2010

|