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Fúria
domada
Mudanças de hábitos e uso de medicamentos
possibilitam o controle da tensão pré-mestrual
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| A
ciência ainda não conhece as causas da síndrome. Mas já
se sabe que ela tem 150 sintomas |
Já houve um tempo em que as alterações
de humor
e os desconfortos apresentados pelas mulheres antes do período
menstrual eram rotulados como problemas psiquiátricos.
Até hoje não raro essas manifestações
são interpretadas como capricho ou mera desculpa para
faltar ao trabalho. Felizmente, para as cerca de 18,5 milhões
de brasileiras de dez a 49 anos que sofrem de Tensão
Pré-Menstrual (TPM), esse quadro está mudando.
A medicina já possui uma boa compreensão do
problema e dispõe de recursos bastante eficazes para
transformar aqueles dias infernais em um período mais
tranquilo e equilibrado.
O empenho da ciência se justifica. De um a 15 dias
antes da menstruação, as mulheres com TPM apresentam
um conjunto de alterações físicas e psíquicas
que podem interferir no desempenho profissional e nas relações
sociais e familiares. Para quase quatro milhões delas,
essas mudanças são tão intensas que a
vida vira do avesso. São cerca de 150 sintomas, como
inchaço, ansiedade, crises de choro e irritação,
que afetam até quem está ao redor. Além
disso, 70% das filhas de mulheres com TPM tendem a manifestar
os mesmos sinais. Não está claro se isso
ocorre por hereditariedade ou por imitação,
como um comportamento aprendido, diz Roberto de Almeida
Prado, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia
da Santa Casa de São Paulo.
| Adi
Leite/Fotosite |
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| Transformação
Marilene deixava de ser expansiva e alegre, quando
estava para menstruar: ficava quieta e chorava sem motivo |
Para os especialistas, a oscilação hormonal
é uma das vilãs do problema. Na metade do ciclo
menstrual, inicia-se a produção de progesterona,
que se estende até a menstruação. Nessa
fase, o nível de estrógeno cai até desaparecer
um ou dois dias antes de a mulher menstruar. Como os
sintomas da TPM surgem por volta do 14º dia, acredita-se
que a progesterona esteja relacionada com a síndrome,
explica Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à
Mulher com TPM do Hospital das Clínicas de São
Paulo. O papel que cabe à progesterona, porém,
é de mero coadjuvante. Ela não atua diretamente
na gênese dos sintomas, mas em alguns mecanismos que
provocam esses sinais. O hormônio, por exemplo, estimula
a ação de
enzimas que atacam a serotonina, neurotransmissor (substância
responsável pela transmissão de informação
entre neurônios) envolvido no processamento das
emoções e do comportamento.
O tratamento da TPM varia entre mudança de hábitos
e medicações específicas.
Para sintomas leves, a orientação é dieta,
exercícios físicos e relaxamento. Evitar cafeína,
cigarro e álcool é indicado para quem sofre
de ansiedade. Analgésicos e acupuntura são recomendados
para as dores de cabeça. Já as formas mais severas
de TPM e as que estão relacionadas a problemas como
agressividade, depressão e choro fácil têm
sido tratadas com antidepressivos leves. Por exemplo, a fluoxetina
(princípio ativo do Prozac) em pequenas doses. O importante
é que é possível
vencer a síndrome. A secretária Marilene de
Moraes, 43 anos, é prova disso. Era
só a menstruação se aproximar, que ela
se transformava. Deixava de ser expansiva
e alegre, não conversava com ninguém e chorava
sem motivo. Foi um alívio descobrir que havia
tratamento. Não há razão para se conformar
com o
sofrimento que a TPM causa, garante. 
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