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Democracia
à mesa
Especialistas decretam o fim da ditadura
das dietas e
recomendam um cardápio variado e equilibrado para perder peso
Como evitar os excessos de calorias
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| A
dieta deve acompanhar o gosto de cada um. É mais fácil
enriquecê-la com produtos saudáveis do que proibir alimentos |
Há muito tempo os especialistas discutem os hábitos
alimentares do brasileiro. Apesar de concordarem que a população
está mais consciente dos benefícios de uma dieta
rica e balanceada, estatísticas mostram que, na prática,
as pessoas ainda estão longe de uma alimentação
saudável. O consumo de gordura cresce em todas as capitais.
Hoje, ela já representa 40% da dieta no País.
É muito se comparado ao máximo de 30% recomendado
pelos médicos. E não é só isso.
De acordo com o endocrinologista Alfredo Halpern, do Hospital
Israelita Albert Einstein, quatro em cada dez pessoas consomem
colesterol um dos tipos de gordura mais prejudiciais
à saúde acima do nível tolerado.
Uma das explicações talvez seja o fato de o
brasileiro eleger o sabor como principal critério na
hora da escolha de um prato. Por isso, quase todos preferem
uma picanha, por exemplo, mesmo que carregada de gordura,
a uma boa salada. Tanto abuso não poderia ter outro
resultado, conforme revela Halpern: 33% dos adultos estão
acima do peso ideal.
Diante desse quadro, a história é conhecida.
Arrependidas dos quilos a mais, muitas pessoas optam por regimes
que cortam radicalmente o consumo de calorias. Em geral, abrem
mão de pratos ricos em gordura e, num primeiro momento,
conseguem emagrecer rapidamente. Mas, depois de um tempo,
a balança mostra que aqueles quilinhos perdidos com
tanto esforço estão de volta. A explicação
para o fenômeno
é simples. Ao cortar drasticamente o consumo de calorias,
o organismo reduz o metabolismo. É como uma máquina
acostumada a trabalhar na potência máxima
que, de repente, se vê com pouca matéria-prima
e é obrigada a diminuir o ritmo. O corpo se adapta
à baixa necessidade calórica e o peso se estabiliza.
Quando se retoma a vida normal, longe das tabelas e dos rótulos
nutricionais, recupera-se
tudo. Os especialistas dizem que é possível
perder ou manter peso sem passar fome. Basta colocar uma pitada
de disciplina e promover algumas mudanças de hábitos.
É mais fácil introduzir produtos saudáveis
na dieta do que proibir o consumo de determinados alimentos,
ensina a nutricionista Ana Maria Lottenberg, do
Hospital das Clínicas de São Paulo.
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Disciplina Para não cair nas armadilhas
dos regimes, é preciso optar por uma dieta próxima
do gosto de cada um. As pessoas podem perder peso comendo
de tudo. É bem mais fácil manter-se em forma
depois, garante a nutricionista Ana Maria. Adquirir
hábitos saudáveis, no entanto, exige uma certa
disciplina. O primeiro passo é cortar a fritura e usar
menos óleo na hora de cozinhar. Um grama de gordura
possui nove calorias. Para fritar um bife gasta-se, em média,
10 g de óleo. Ou seja, consomem-se 90 calorias só
no óleo. Essa é uma regra básica.
As carnes grelhadas e cozidas são as melhores alternativas,
aconselha Halpern. Algumas alterações simples
também podem ser aplicadas a outros pratos. Se a pizza
é inevitável, escolha a mais leve. Um pedaço
com quatro queijos possui 600 calorias. A fatia da portuguesa
tem 200. A macarronada de domingo também pode ser adaptada
de vez em quando. Um prato com molho de tomate fornece 280
calorias. É pouco mais da metade das 480 calorias de
uma massa à bolonhesa com queijo ralado. Até
um dos maiores vilões da balança pode entrar
no cardápio. Um hambúrguer simples, sem molho,
tem 241 calorias. Com duas colheres de sopa de maionese são
mais 214 calorias.
Porções Mais importante do que
essas iniciativas, no entanto, é introduzir alimentos
saudáveis na dieta. Ingerir frutas, legumes e verduras
diariamente é fundamental para o bom funcionamento
do organismo. Excelente fonte de vitaminas e minerais, esse
grupo de alimentos ajuda a prevenir doenças e desempenha
um papel importante no controle da obesidade (leia matéria
à pág. 49). Recomenda-se o consumo diário
de três a cinco porções de vegetais e
de duas a quatro porções de frutas. Uma alimentação
balanceada inclui também outras fontes de fibra, como
os grãos integrais. Esses carboidratos não digeríveis
colaboram para a sensação de saciedade. Comer
bem também significa maleabilidade.Se a pessoa
comer sanduíche numa semana, por exemplo, ela pode
compensar na seguinte ingerindo duas frutas por dia,
diz a nutricionista Ana Maria. A receita para emagrecer encontrada
nos consultórios e nas clínicas de nutrição
não inclui apenas bons hábitos alimentares.
A perda de peso está associada à diferença
entre o gasto e o consumo de calorias. Por isso, é
preciso balancear a energia que entra e a que sai do corpo.
Aliar a dieta à prática regular de exercícios
é uma forma eficaz de obter esse equilíbrio.
Essa combinação rende bons resultados. Em cerca
de quatro meses é possível despachar de oito
a dez quilos. Além disso, a atividade física
contribui para o controle de diversos problemas, além
da obesidade. Um estudo com mais de cinco mil mulheres diabéticas,
publicado em janeiro passado na revista científica
Annals of Internal Medicine, mostrou que aquelas que fizeram
caminhadas reduziram o risco de doenças cardíacas
em 40%. Por que não começar a caminhar, por
exemplo? 
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