|
A
casa dos sonhos
É possível mudar qualquer ambiente com soluções
simples, criativas e baratas
Metamorfose
ambulante
| Sergio
Barzaghi/Fotosite |
 |
| A
casa de Laub ganhou um jardim-de-inverno oriental. Paredes
da sala foram raspadas, expondo os tijolos |
Ao entrar no confortável apartamento, o fotógrafo
e arquiteto Fábio Laub, 24 anos, quase desistiu de
comprá-lo. O lugar estava em péssimo estado,
lembra. Sem muito dinheiro, ele conseguiu reverter a situação
com criatividade. Duas das paredes da sala de estar foram
raspadas e deixadas com tijolo aparente, criando um clima
rústico. A varanda foi transformada em um charmoso
jardim-de-inverno oriental, com direito a uma banheira de
ofurô. O apartamento de Laub prova que a beleza do lar
não depende de gastos astronômicos. O importante
é ter bom humor para brincar com as regras, afirma
a consultora Vera Leslie, autora do livro Lugar-comum
auto-ajuda de decoração e estilo. Vale tudo
na hora de provocar uma revolução doméstica.
Pintar paredes com cores vivas, revestir ou encapar o sofá,
ressuscitar a cristaleira da vovó. Papel contact,
daqueles de encapar caderno, dão cara nova ao tampo
de uma mesa velha, ensinam as artistas plásticas
Mariana Munhoz e Cynthia Gyuru, do Ateliê Olá,
em São Paulo.
| Sergio
Barzaghi/Fotosite |
 |
As cores são capazes de criar sensações
e efeitos surpreendentes. Tonalidade claras ampliam ambientes.
Os tetos, a não ser em casos de pé-direito alto,
devem ser brancos ou quase brancos, porque refletem a luz.
Para dar a sensação de teto mais baixo sem rebaixá-lo,
aplique um tom mais forte do que o das paredes. Para elas,
aliás, devem-se escolher opções com cuidado.
A cor alegra a casa, mas, mal-empregada, transmite a
sensação de desconforto, avisa Vera. O
ideal é escolher apenas uma parede para realçar.
Na dúvida, use cores fortes em detalhes, como
jogos de vasos, diz o arquiteto Rômulo Russi,
professor de design do Senac São Paulo.
| Sergio
Barzaghi/Fotosite |
 |
|
Lilian Varella espalhou pelo banheiro fotografias e imitações
de cabeças de animais |
Enfeitar a casa é uma necessidade do ser humano. A
casa é o lugar onde cada um exerce sua liberdade e
se comunica com o mundo, explica Vera. E cada um deve
se comunicar do jeito que bem entender. A empresária
Lilian Varella, 40 anos, por exemplo, não tem medo
de ser censurada. Começou pintando de cor-de-rosa o
teto do banheiro do apartamento onde mora. A ousadia não
parou aí. Fui seduzida pelo lado lúdico,
diz. Fã do kitsch, Lilian espalhou pelas paredes fotografias
compradas em brechó. De quebra, povoou o local com
inusitadas cabeças empalhadas de animais selvagens.
Detalhe: as peças, de plástico, foram compradas
em camelôs. Quem não quer se arriscar deve procurar
especialistas. O profissional aproveitará o que
já existe, evitando a compra de objetos dispensáveis,
explica Carolina Szabó, presidente da Associação
Brasileira de Designers de Interiores. 
|