| ISTOÉ / DATABRAIN |
| O poder da telinha |
Quinze dias de horário eleitoral gratuito no rádio
e na tevê não chegaram a entusiasmar o eleitor. A terceira
rodada da pesquisa ISTOÉ/Databrain, feita entre os dias 28
e 31 de agosto, mostra isso. Nas 1.903 entrevistas feitas em 17
capitais e cinco cidades ficou constatado que 22,5% assistem diariamente
ao horário na tevê, contra 26,4% que não querem
saber dos políticos na telinha. Desses 22,5%, o público
mais fiel aos candidatos são as mulheres: 52,8% contra 47,2%
dos homens. No entanto, também são elas que não
ligam a tevê (51%) na hora do show eleitoral, contra 49% dos
homens. Quando o cruzamento feito é por faixa salarial, o
levantamento mostra que os que assistem com frequência diária
(50,7%) e os que não assistem com frequência alguma
(55%) ao horário eleitoral na tevê são os eleitores
de zero a três salários mínimos, ressalta o
diretor-presidente do Instituto Databrain, Carlos Roberto de Oliveira
(foto).
Mas a importância do horário eleitoral, somada a
50 dias de campanha nas
ruas, até agora, não influenciou os eleitores (78,2%).
Apenas 18% admitiram,
nesse período, ter mudado a sua intenção de
voto para prefeito. O mesmo não
pode ser dito quando se subdivide o resultado em categorias: os
eleitores de baixa renda e escolaridade. “Pouco mais de 20
por cento de analfabetos ou dos que possuem um ano ou menos de estudo
admitiram ter sofrido influência do período a ponto
de mudarem o voto. Na faixa entre zero e três mínimos
esse porcentual é de 19%”, afirmou o pesquisador.
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Carlos Roberto de Oliveira, diretor-presidente
do Databrain: “Racional-mente, o eleitor ao ser entrevistado
nega a influência da tevê e do rádio na escolha
do candidato de sua prefe-rência. Emocionalmente, porém,
ele aponta aquele cuja mensagem midiática conseguiu atingi-lo”
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Segundo Carlos Roberto, a pesquisa constata
dados curiosos em relação ao levantamento anterior,
feito quando a campanha atingia seus primeiros 40 dias e não
havia ainda o horário eleitoral gratuito no rádio
e na tevê. Os índices mostram que aumentou consideravelmente
(de 60,7% para 78%) o número de eleitores que afirmaram não
ter sofrido mudança ou influência em sua intenção
de voto para prefeito. Ao mesmo tempo, diminui o índice (de
21,5% para 18%) dos que dizem ter mudado de opinião, quanto
ao voto para prefeito nesses dez dias. Carlos Roberto explica que
essa salada de números aponta duas direções.
“A primeira leva à leitura de que, sob o impacto dos
primeiros programas do horário eleitoral, os eleitores preferiram
dar um tempo, negando a tevê e ao rádio uma influência
mais decisiva no processo eleitoral”, afirma. Já a
segunda, analisada sob as alterações significativas
nas posições dos candidatos que
lideram em algumas capitais, como Belo Horizonte, Recife, Natal,
João Pessoa, Belém e Goiânia, “
mostra que o eleitor prefere não admitir que a propaganda
gratuita influenciou sua intenção de voto. Eles agem
como milhões de pessoas, que, sob o impacto principalmente
da televisão, adotam hábitos e imitam os personagens
de novela, sentindo-se ofendidas quando alguém lhe questiona
ou aponta esse comportamento”, ressalta.
Carlos Roberto se baseia em estudos que mostram que a decisão do voto contém elevado componente emocional, instrumento preferido dos marqueteiros para virar o jogo eleitoral mexendo na imagem do candidato na cabeça e no coração do eleitor. “Assim, é natural que, racionalmente, o eleitor ao ser entrevistado negue a influência da tevê e do rádio na escolha do candidato de sua preferência. Emocionalmente, porém, ele aponta aquele cuja mensagem midiática conseguiu atingi-lo.” Agora é esperar a campanha eletrônica que inicia sua reta final.
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