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Peter Morgan / Reuters  
O pefelista Cesar Maia surfa sozinho nas ondas eleitorais cariocas  
Confira o resultado da pesquisa eleitoral
 

Rio de Janeiro / RJ
Mar calmo para PFL

A eleição no Rio de Janeiro ainda não empolgou as ruas, exceto por militantes pagos para agitar bandeirolas nas esquinas. Nesse marasmo eleitoral, o prefeito Cesar Maia, ex-PDT brizolista, ex-PMDB, ex-PTB, que hoje empresta seu prestígio pessoal e fama de bom administrador ao PFL, tenta a reeleição. E leva vantagem. Segundo a pesquisa ISTOÉ/Databrain, Cesar lidera com folga (42%), seguido de longe pelo bispo da Universal e senador do PL, Marcelo Crivella (17,1%). Vice da governadora Rosinha Garotinho (PMDB), o ex-prefeito Luiz Paulo Conde (PMDB) surge em terceiro (11%), seguido dos deputados federais do PCdoB, Jandira Feghali (7%), e do PT, Jorge Bittar (5,6%). A pesquisa ouviu 800 eleitores entre 31 de julho e 1º de agosto, tem uma margem de erro de 3,5 pontos porcentuais e um coeficiente de confiabilidade de 95%. O estudo foi registrado no TRE-RJ com o número 013-2004.

Apoiado pelos tucanos, Cesar Maia nutre a esperança de que Lula não se
empenhe tanto na vitória de Jorge Bittar. O prefeito garante que a mesma
aliança PT-PFL costurada em Niterói, capital do antigo Estado do Rio, e em Nova Iguaçu, quarta maior cidade fluminense, foi tentada no Rio. Bittar, com a adesão do PTB e do PSB, diz que é outro factóide de Cesar. Verdade ou não, o fato é que sua gestão está bem aos olhos dos cariocas: 41,8% a consideram boa e ótima, 32,1% a qualificam como regular e 18,9% dão notas ruim e péssimo, segundo a pesquisa. Além de estar na pole position na corrida pela prefeitura, Cesar não tem rejeição alta: está em terceiro lugar, com 10,6%, atrás de Crivella (21,5%) e de Conde (18%). A esquerda no Rio, só para variar, está dividida. Além do petista Bittar e da comunista Jandira – candidata do partido do ministro da Articulação Política de Lula, Aldo Rebello – concorre ainda o advogado Nilo Batista (PDT), com 1% das intenções de voto. O pedetista quer distância do Planalto: promete seguir o legado deixado pelo ex-governador Leonel Brizola, fazendo do Rio “um pólo de resistência ao neoliberalismo”. O peemedebista Conde ainda se ressente de ter sido o último a saber que caciques do seu partido tentavam convencer Brizola a assumir o seu lugar. Com a morte de Brizola, Conde foi oficializado como candidato da administração estadual. O governo Rosinha, segundo a aferição, não está bem avaliada: é tido como regular por 36,1% dos entrevistados, é rejeitado (soma de ruim e péssimo) por 34,1% e é considerado bom e ótimo por 27,4%.

O grande nó eleitoral é o pastor evangélico Marcelo Crivella, em segundo lugar. Ele começou na política há dois anos, quando foi eleito senador com mais de 3 milhões de votos. Crivella é a nova aposta eleitoral da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual é fundador, além de sobrinho do dono, o “bispo” Edir Macedo. “Sou o candidado a prefeito do povo, das pessoas simples”, prega. Ele aposta no apoio do rebanho evangélico – estimados 700 mil eleitores – para tentar eleger-se. Se a Justiça Eleitoral deixar. Crivella terá de explicar por que omitiu cotas em emissoras de tevê na sua declaração de patrimônio ao Tribunal Regional Eleitoral.

Leandro Pimentel Renato Velasco
O evangélico Crivella, em segundo, deve explicação ao TRE Com apoio de Rosinha, Conde está em terceiro na corrida eleitoral A comunista Jandira, em quarto lugar, tira votos dos petistas