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Divulgação  
Raul Lustosa (PT) fechou com o PMDB e saiu na frente da disputa  
Confira o resultado da pesquisa eleitoral
 

Palmas / TO
Eleição põe aliados do
PT e PL frente a frente

Sob a bênção do maior cardeal político de Tocantins, Siqueira Campos, criador e primeiro governador do Estado, começou em junho a corrida pela Prefeitura de Palmas com a marca do ecumenismo. Siqueira conseguiu unir católicos e evangélicos na chapa que junta quatro coligações e dez partidos em torno da atual prefeita, a católica Nilmar Ruiz (PL), em dobradinha com o evangélico Pastor Amarildo, deputado federal pelo PSC. Mais do que o apoio em peso da bancada de Tocantins no Congresso – incluindo os três senadores e sete dos oito deputados federais –, a prefeita Nilmar ganhou o apoio do influente Siqueira Campos, hoje no PL, que ainda
não decidiu o que abocanha em 2006: o governo do Estado ou uma cadeira no Senado, neste caso abrindo espaço de governador para o filho, senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB). Apesar da ampla aliança, Nilmar está em segundo lugar na disputa (33,5%), mas empatada tecnicamente com o petista e deputado estadual Raul Lustosa Filho (37,9%), conforme demonstram os números da pesquisa ISTOÉ/Databrain, com margem de erro de 3,5 pontos porcentuais e 95,5% de coeficiente de confiança. O estudo foi registrado no TRE-TO com o número 2.088/2004.

  Ricardo Giraldez
  Nilmar Ruiz, com apoio de uma superfrente, segue na luta pela reeleição

Para enfrentar esta poderosa coligação, operou-se em Palmas o milagre de uma inédita aliança do PT com o PMDB (só Curitiba repetiu esta química). Raul Lustosa Filho, que vestia a camiseta do PPS quando perdeu a prefeitura em 2000 para Nilmar, agora tenta a revanche com a estrela de Lula. A prefeita do PL espera ter a presença do vice-presidente José Alencar no seu palanque, mas é pouco provável que a maior autoridade do partido vá bater de frente com o PT de Lula. Nilmar, apesar de bem avaliada administrativamente (48,8% somados os quesitos ótimo e bom) terá de enfrentar o alto índice de rejeição (27,7%) se comparado ao de seu principal opositor (18,6%). O governador do Tocantins, o tucano Marcelo Miranda, segundo a pesquisa que ouviu 802 eleitores entre os dias 26 e 27 de julho, é um cabo eleitoral capaz de arregimentar 23,6% dos entrevistados. Apesar de ter uma administração bem avaliada entre os pesquisados (58,2% de ótimo e bom), 32,2% disseram não votar em um nome apoiado por ele, enquanto 22,1% admitem poder votar condicionando a decisão ao nome escolhido por Miranda. Já 10,1% responderam que o apoio do governador não influencia seu voto. Mas a entrada de Miranda na campanha de Nilmar vai depender do arranjo com os Siqueira Campos. Ele também ambiciona o Senado em 2006, o que, segundo políticos do Estado, aponta para um rompimento com o clã no futuro.

Entre 2000 e 2004, o eleitorado de Palmas cresceu 40% – subiu de 75 mil para
110 mil votantes. Mas o Senado frustrou os partidos políticos: em Palmas o número de vereadores foi reduzido de 15 para 12. Mesmo assim, os quatro candidatos a prefeito estarão escoltados por 170 concorrentes a uma vaga na Câmara Municipal. Embora os candidatos assegurem que a temática da campanha é, de fato, municipal, eles terão que responder às ansiedades nacionais da população de Palmas. A maior preocupação dos 170 mil habitantes da capital é o desemprego, que aflige 15% da força de trabalho.