 |
|
| Fraiman ensina técnicas de relaxamento
para quem vai encarar a prova |
|
 |
 |
|
|
|
| Vestibular |
| A hora da angústia |
O autor de Meu filho vai prestar
vestibular. E agora? ensina aos
pais
como ajudar os
jovens num
momento tão difícil |
 |
| Celso Fonseca |
Como boa parte dos jovens de sua geração, Leo Fraiman,
35 anos, psicólogo com mestrado em psicologia escolar pela
Universidade de São Paulo (USP), tem lembranças amargas
da época do vestibular. “Foi terrível. Eu era
um adolescente e não tive orientação nenhuma,
nem de estudos nem emocional.” Quando se formou, Fraiman trabalhou
como orientador educacional no Colégio Hebraico Brasileiro
Renascença, depois no Porto Seguro e hoje é professor
do Colégio Guilherme Dumont Villares – todos em São
Paulo. Nos 12 anos de carreira, investiu na preparação
psicológica para o vestibular e na orientação
profissional, tema de que trata em suas aparições
no programa matinal Dia Dia, da Band. É autor de
Meu filho vai prestar vestibular. E agora? (Editora Gente),
que pode ser adquirido pelo site
www.fraiman.com.br. Aqui, ele fala como os pais podem ajudar
os filhos nessa época e ensina técnicas de meditação
e relaxamento, que são até curiosas.
ISTOÉ – O fase pré-vestibular é
sempre angustiante?
Leo Fraiman – A adolescência é uma época
angustiante e de muita ansiedade.
Tudo está mudando para o jovem. Ele está se preparando
para a vida. Pensando na futura carreira. Tem inquietação
sexual, familiar, social. Precisa saber se transa ou não
transa. O vestibular é a maior das angústias porque
marca uma passagem. O aluno, de um modo geral, não quer sair
do colégio, que é um mundo conhecido, onde ele tem
uma identidade, sabe por quem é aceito e por quem não
é. Ele vai ser espirrado da comunidade a que pertence. Ele
tem que se preparar para uma situação que no fundo
não quer viver. Junte-se a isso notícias terríveis
de desemprego, de dificuldade em conseguir estágio. Cria-se
uma noção, nem sempre verdadeira, que a vida adulta
é terrível. Os sintomas decorrentes desse stress são
inúmeros: nas meninas, pode interromper a menstruação.
Estouram espinhas, caem cabelos, a gastrite aparece. E, na verdade,
a vida adulta não é só de problemas. Tem que
olhar a árvore e olhar a floresta.
ISTOÉ – Como deve ser a participação dos pais nesse momento?
Fraiman – Tem o pai omisso, que diz ao filho: você escolhe a profissão que quiser e pronto, o pai casca, ditador, que briga. Há aluno que cresce na pressão. Mas, para a grande maioria, as críticas só geram mais angústia e apatia. O ideal é ser o mais amigo e cúmplice possível. Eu sugiro que o pai converse com o filho sobre vestibular duas vezes por semana. Combine os dias – no lugar da casa em que o filho se sentir melhor – e, depois, não fale mais no assunto. Mas tem que se aproximar com um tom de voz afetivo. Pergunte como está indo. Do que está precisando. Em quais matérias tem mais dificuldades. Pai não tem que dar bronca, não tem que tomar lição. Apenas se mostrar interessado, pedir para ver o caderno e ver no que é possível ajudar. Pode apenas convidar o filho para ver um filme. O que o filho precisa é de companhia. Eu observo no meu consultório, que às vezes falta um abraço. Nesses momentos de tensão, o filho regride. Fica mais infantil, mais choroso, mais irritado. Às vezes, tudo que ele precisa é de colo. Tem que chegar junto e desarmado.
ISTOÉ – E no caso de fracasso no vestibular?
Fraiman – Não passar para o aluno significa uma exclusão. Os pais têm que mostrar que acreditam nele e que não é o fim do mundo. Mostrar que a vida é uma sucessão de etapas a serem vividas e não necessariamente ultrapassadas. A gente não ultrapassa tudo na vida. Ajuda muito se o pai contar que também já teve um fracasso na vida. É importante também realmente dizer que continua amando o filho, porque para ele isso não é óbvio.
ISTOÉ – A participação dos pais na vida escolar tem melhorado?
Fraiman – O pai tem estado mais presente. Antigamente reunião de pais e mestres era de mães e mestres. Hoje em dia é de pais mesmos. Pais que até se emocionam na reunião. Quando se tem uma aliança entre pai e educador tudo melhora na vida do aluno. O QI, o comportamento, o interesse, auto-estima... A adesão à droga e ao álcool cai assustadoramente.
ISTOÉ – Como os alunos devem agir nos dias que antecedem a prova?
Fraiman – Durante a semana da prova ele pode ir numa balada na quarta-feira, se a prova for no sábado. Uma balada na noite anterior é contra-indicada. O ideal na noite da véspera é ver um filme no vídeo, sair com a família para comer uma pizza e ouvir música. O ideal é que na última semana se tenha pelo menos oito horas de sono diário. Com o bom sono se tem uma liberação maior do GH, hormônio do crescimento, que está ligado à memória. Então, quanto mais se dormir, mais se aumenta a capacidade da memória. O esporte também ajuda muito. Segundo pesquisas, jovens que praticam esporte regularmente têm até 30 % mais de memória que os sedentários. Só não pode querer, nos últimos dois dias, reestudar tudo. Há uma corrente da psicologia – chamada de cognitiva narrativa – que mostra que há um alívio do stress quando se escreve sobre seus problemas num diário. Também é bom evitar ficar demais no computador. E por que não fazer um shiatsu (massagem terapêutica japonesa), acupuntura ou homeopatia? O que não concordo é que os jovens que tenham uma natureza ansiosa não façam nada para aliviar a ansiedade. Não é demérito nenhum ter um perfil ansioso.
ISTOÉ – E como relaxar?
Fraiman – No Dumont Villares há uma disciplina chamada projeto de vida. Tem aulas de ioga em que os alunos aprendem a meditar, a fazer exercícios de concentração, respiração, práticas de psicologia esportiva. Há uma técnica em que eles ficam olhando para uma vela a dois metros de distância durante três minutos e tentam esvaziar o pensamento. É uma técnica de concentração como a do relógio, em que se fica olhando para o ponteiro por dois minutos, sem pensar mais em nada. Há outra técnica chamada de meditação autodirigida, que você fica de olho fechado repetindo uma palavra que evoque uma sensação boa, como paz ou luz. A idéia que a gente tem do pensamento positivo ficou banalizada, mas pode-se usar o pensamento positivo como na psicologia esportiva. Visualizar o sucesso. Como o jogador de basquete faz no lance livre, quando está batendo a bola, antes de arremessar. Ele só arremessa quando visualiza a bola entrando de chuá! O aluno tem que visualizar a prova de forma positiva.
|