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EDIÇÃO EXTRA
 
 
EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002
LUIZ FELIPE SCOLARI
Posição: Técnico
Nascido em:
Passo Fundo (RS), em 9/11/48
Clubes:
CSA-AL, Juventude-RS, Pelotas-RS, Al-Shabab-ARA, Grêmio, Al Qadsia-CAT, Criciúma-SC, Al Ahli-ARA, Jubilo Iwata-JAP, Palmeiras e Cruzeiro.

PERFIL DOS CAMPEÕES
Luiz Felipe Scolari

Kevork Djansezian/AP  

A presença de Luiz Felipe Scolari no comando da Seleção foi imposta por um clamor popular. O técnico gaúcho assumiu o cargo no dia 1º de julho do ano passado, após os consecutivos fracassos de Vanderlei Luxemburgo e Émerson Leão. De cara, prometeu classificar o time, que então cambaleava nas Eliminatórias, e terminar a Copa entre os quatro melhores do Mundo. Cumpriu o prometido, e foi além. Com seu jeito peculiar de comandar, duro e emotivo, conquistou o apoio dos jogadores e,
depois de uma sucessão de equívocos iniciais,
recuperou a confiança dos torcedores.

Sua passagem pela Seleção teve altos e baixos. Não cabe aqui discutir se são
ou não dele os méritos do bom desempenho do time no torneio. Os detratores acreditam que não. Para estes, o Brasil só fez boa campanha devido ao talento de seus atletas.
Os defensores acham que sim. Sem o comando, as escolhas, a equipe não seria nada
além de um balaio de feras. Pendengas à parte, o certo é que esse gaúcho de Passo Fundo, ex-técnico de Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro, escreveu seu nome na história. Afinal, a família Scolari, liderada pelo patriarca bigodudo, superou até a expectativa do mais fulgurante dos patriotas.

Mas isso não faz de seu mandato menos polêmico. É preciso relembrar. Disciplinador e teimoso, barrou a participação de Romário, depois de um episódio malexplicado durante as eliminatórias. Na medida oposta, apostou piamente na recuperação de Ronaldo e Rivaldo. Tanto num quanto noutro aspecto, provou ter estrela. O baixinho não fez falta porque os outros dois atacantes arrebentaram. Além disso, optou pelo esquema 3-5-2, que havia fracassado com Lazaroni em 1990. Num primeiro momento, pareceu estar equivocado, mas as boas atuações da defesa e do meio-de-campo nos jogos decisivos provaram que o formato pode funcionar. Demonstrou também que, como apostavam seus admiradores, sabe disputar torneios mata-mata. A fama de copeiro permanece intacta.

Portanto, não é à toa que Felipão voltou a gozar de prestígio com a população. Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha, seu comando é mais benquisto que o de Parreira, em 1994, e o de Zagallo, em 1998. Mérito seu, que manteve durante todo o torneio sua incoerente coerência e conseguiu levar uma seleção desacreditada aos píncaros da glória. Se não é santo, Scolari não é vilão.

E justiça seja feita. Não deve ser nada fácil manter os ânimos calmos ocupando o mais alto cargo da democracia brasileira: o de técnico da Seleção.

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