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EDIÇÃO EXTRA
 
 
EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002
Ronaldo
9
Posição: Atacante
Nascido em: Rio de Janeiro (RJ), em 22/9/76
Altura: 1,83 m
Peso: 79 kg
Clube atual: Inter-ITA

PERFIL DOS CAMPEÕES
Ronaldo

Dusan Vranic/AP  

Os amigos o chamam de Ronnie, outros preferem Ronaldinho. Na Europa, é simplesmente Ronaldo. Durante a Copa 2002, ao menos para Felipão, passou a ser Nazário. Não importa qual é o substantivo. O adjetivo que acompanha o menino é Fenômeno, por alguns motivos. Porque ele flutua com a bola; porque a sua frente os zagueiros esperneiam; porque quando parte em disparada não há linha de beques capaz de detê-lo; porque seus números espantam qualquer amante do esporte bretão. Aos 25 anos, não há muito mais para ele fazer pelo futebol. Os recordes evidenciam. Na Copa da Coréia e do Japão, só não fez chover. Tornou-se o segundo artilheiro da Seleção em Mundiais, tendo a sua frente somente Pelé. Superou Bebeto e hoje só outros três craques marcaram mais gols do que ele fardando a amarelinha: Romário, Zico e, novamente, Pelé. Nenhum deles, no entanto, terminou uma Copa liderando a lista de goleadores. Ronaldo, sim. Feito que o iguala a Leônidas da Silva e Ademir de Menezes. Precisa mais? Ronaldo acredita que sim. Bicampeão do mundo, em 2006 vai em busca do tri. Sua trajetória é um exemplo de que não existem limites para a superação individual e para os avanços da medicina. Há quatro anos, a fatídica derrota para a França. Superar o trauma da convulsão horas antes da partida não foi fácil. Na sequência, duas contusões seguidas, no mesmo joelho, lhe deixaram dois anos sem brincar com a redonda. Parecia que a carreira de Ronaldo findaria como um raio. Não à toa, Gullit, craque holandês, o comparou a Marco Van Basten, centroavante genial que fez história no final dos anos 80, início dos 90, e abandonou os gramados prematuramente. A diferença entre eles é que Ronaldo se recuperou. Van Basten, infelizmente, não. Às vésperas de embarcar para a Coréia, poucos acreditavam em sua melhora.

O Brasil relutou, pediu Romário, e o Fenômeno nascido num subúrbio do Rio de Janeiro provou que o País não precisaria do Baixinho. Fez, na média, um gol por partida. Contra a Turquia, decidiu o jogo com um toque de bico, depois de uma arrancada fatal, ao estilo do craque marrento que desbancou.

Nas capas de jornais do mundo todo, sua foto e uma frase para a posteridade:

– Enfim, o pesadelo acabou. Ronaldo não poupou esforços para pôr fim à especulação. Contra a Bélgica, nas oitavas, aguardou, pacientemente, uma bola pintar na frente de seus pés para deixar sua marca. Contra a Turquia, na abertura da Copa, partida difícil e truncada, fez o gol de empate, que abriu o caminho da vitória. Contra a Inglaterra, batalhou, se movimentou. Foi fundamental.

Numa época pouco inocente, em que o futebol é regido e pautado por violentas cifras, Ronaldo é um átimo de alegria. Mulato, dentuço, agora um pouco desengonçado, ele se supera pelo carisma.

A fama e a conta bancária não foram capazes de torná-lo mais um. E o que dizer do corte de cabelo que ele adotou na semana que antecedeu a semifinal? Em Ronaldo, ficou simpático. A moda “Cascão” – alusão ao personagem de Maurício de Souza – chegou para fazer a cabeça dos meninos que sonham um dia vestir o manto sagrado da Seleção. Como sabe disso, se desculpou, com uma ponta de ironia:

– Acho que muitas mães devem estar bravas comigo.

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