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EDIÇÃO EXTRA
 
 
EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002
CAFU
2
Posição:
Lateral-direito
Nascido em: São Paulo (SP), em 19/6/70
Altura: 1,73 m
Peso: 73 kg
Clube atual: Roma-ITA

PERFIL DOS CAMPEÕES
Cafu

Ian Waldie/Reuters  

Cafu chegou onde nenhum outro jogador jamais ousou chegar. Aos 32 anos, o lateral-direito da Seleção Brasileira, titular absoluto, disputou em 2002 sua terceira final de Copa consecutiva. Feito extraordinário. Em 1994, então reserva, acabou substituindo Jorginho, contundido, no tira-teima contra a Itália. Sagrou-se campeão. Em 1998, dono da vaga, viveu a tragédia do Stade de France. Lutou, mas não foi capaz de impedir a vitória francesa. Este ano, experiente, capitão do time, levantou a taça. Escreveu seu nome na galeria em que figuram também Bellini, Mauro, Carlos Alberto e Dunga.

Logo depois da vitória contra a Turquia, na qual demonstrou todo o seu potencial – os torcedores o elegeram, nos sites das principais agências de notícia do País, o melhor em campo –, abandonou a modéstia e proferiu:

– Sou predestinado.

Para depois demonstrar a humildade que lhe é peculiar:

– É a única explicação para o que está acontecendo comigo.

Cafu é adepto de uma teoria. Quem disputa uma Copa do Mundo fica marcado para sempre e aprende o que fazer nos momentos de adversidade. Sua experiência e segurança foram fundamentais para a campanha vitoriosa da família Scolari. Aliás, o técnico, que no começo do torneio justificou o esquema 3-5-2 devido à debilidade de Cafu na marcação, teve que morder a língua. Não fosse a precisão do lateral na cobertura dos zagueiros, particularmente do beque-central, a defesa brasileira seria ainda mais vulnerável. E o torcedor, pobre coitado, teria ainda mais motivos para morrer do coração. No apoio ao ataque, foi como sempre perigoso. Mas demonstrou que – recordes à parte – não é dos melhores quando o assunto é bater no gol. Exemplo: na partida contra a Turquia, recebeu um passe açucarado de Ronaldo. Uma cena que lembrou, e muito, o quarto gol do escrete de 1970, na final contra a Itália, concluído por Carlos Alberto. Cafu não bateu de primeira. Ao ajeitar a bola, errou a passada, e concluiu nas mãos de Rustu Recber. Poderia ter igualado o feito do outro capitão, mas faltou categoria.

Por sua regularidade na competição, figurou na lista dos 30 melhores do torneio, desbancando jogadores até então muito mais cotados para assumir esse papel. Definitivamente, não se pode subestimar um homem que há oito anos é titular da
Seleção Brasileira.

E que, três Copas depois, é o atleta a vestir mais vezes o manto amarelo: 114, conforme os números oficiais.

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