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EDIÇÃO EXTRA
 
 
EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002

A taça do mundo é nossa, com
brasileiro não há quem possa

No seu jogo de “estréia” na Copa, Ronaldinho Gaúcho decide
com um drible genial, um passe para Rivaldo e um gol de craque

Eduardo Marini

  Shaun best/Reuters

A quinta estrela está definitivamente costurada no lado esquerdo da camisa canarinho e cravada no coração dos brasileiros. O Brasil pentacampeão mundial de futebol ainda arde de alegria enquanto você, leitor e torcedor apaixonado, sorve os textos e imagens desta edição histórica com a alma leve, a bruma de uma ressaca justificada e o sorriso tranquilo dos vencedores. Erros? Altos e baixos? Polêmicas sobre esquemas? Falhas clamorosas da defesa na primeira fase? É aconselhável esquecer tudo isso, pelo menos por enquanto. Comemorar é um sagrado direito de todos – dos céticos ao eufóricos incorrigíveis, passando pelos equilibrados. Da direita festiva da bola, que sempre acha que vai dar, aos baluartes da esquerda ranzinza, que muitas vezes dão a impressão de que terão o fígado atingido em cheio com o sucesso da Seleção. A equipe teve um desempenho fraco em pelo menos três partidas da competição, exibiu falhas preocupantes e o técnico pareceu, em alguns momentos, ter sentido falta de jogadores que não convocou. Mas a habilidade de Felipão, o administrador de emoções, para levar os jogadores a fazerem o que ele quer, e o
talento de jogadores como Ronaldo, o Fenômeno, Ronaldinho, o Gaúcho, Rivaldo, Roberto Carlos e Marcos fizeram a diferença. A vitória de 2 a 0 sobre a Alemanha na final, a atuação arrasadora de Ronaldo no segundo tempo, coroada por dois gols, e as belas atuações de Kléberson, Roque Jr., Marcos e Cafu fecharam em grande estilo uma campanha marcada pela união, a valentia na hora de enfrentar problemas e desconfianças. Está na hora de festejar. “Quando chegamos aqui, tínhamos em mente que precisávamos resgatar a imagem de um Brasil vencido. Felizmente conseguimos. Foi a vitória da superação”, disse um aliviado Felipão após a partida.

Itsuo Inouye/AP -  Elise Amendola/AP - Oleg Popov/Reuters  
Força: Ronaldo fez dois gols em Kahn, a ex-“muralha” alemã, que desabou. Uma vitória da união de todo o grupo  

O quinto título solidifica a hegemonia brasileira no futebol pelo menos até 2014. Alemanha e Itália possuem três títulos cada uma. Mesmo se uma delas ganhar as duas próximas Copas, em 2006 e 2010, no máximo igualaria a marca. Em todas as Copas, o Brasil fez 147 pontos e 191 gols. O título na Coréia do Sul e no Japão reforçou a supremacia do futebol sul-americano sobre o europeu em Copas, com nove títulos contra oito. O presidente Fernando Henrique Cardoso está entre os torcedores que tiveram de dar o braço a torcer a Felipão. Dias antes do embarque para a disputa da Copa, o técnico da Seleção ignorou a sugestão pública, feita pelo presidente, para convocar o jogador vascaíno Romário. No domingo 30, minutos após o término da partida, Luiz Felipe Scolari ouviu FHC reconhecer que ele havia adotado a estratégia adequada. O presidente telefonou aos integrantes da equipe brasileira para agradecer o título. “Eu disse a eles que é o País que está emocionado e agradecendo. E queria agradecer ao Felipão, que deu, além do mais, o exemplo daquilo que nós todos devemos seguir. É preciso que haja perseverança, tem que acreditar, tem que trabalhar firme por um objetivo e chegar lá. E não dar muita atenção aos desvios de rumo. Foi isso o que a nossa Seleção fez”, afirmou FHC. “Ronaldo é o maior do mundo”, completou, eufórico.

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