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EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002

AS SURPRESAS DA COPA/CORÉIA
Dae Han Min Guk
Apoio da torcida e um futebol rápido e envolvente foram as
qualidades de um time que deixou Espanha e Itália para trás

Fatih Saribas/Reuters  
Guus Hiddinik e seus atacantes: futebol envolvente  

Não é exagero dizer que nem o mais otimista dos coreanos esperaria ver sua seleção entre as quatro melhores do mundo. Afinal, quem acreditaria numa equipe que em seis participações em Copas jamais havia vencido uma partida e em todas acabou eliminada na primeira fase? Mas não é que a Coréia conseguiu a façanha?! O jogo veloz, no qual se destacam o rápido toque de bola e céleres deslocamentos, além do enlouquecido apoio da população, pôs a pique três das favoritas ao título: Portugal, Itália e Espanha. As duas últimas saíram reclamando da arbitragem. Mas os coreanos nada tinham a ver com
isso. Por uma dessas ironias do futebol, o carrasco dos italianos foi Ahn, jogador do Peruggia, time da própria Itália. No segundo tempo da prorrogação, o atacante marcou o gol que mandou a Azzurra para casa. Indignados, os dirigentes do clube despediram o jogador. Dias depois voltaram atrás. Mas agora é ele que não quer mais voltar.

Campanha
Primeira fase
Coréia 2 x 0 Polônia
Coréia 1 x 1 EUA
Coréia 1 x 0 Portugal

Oitavas-de-final
Coréia 2 x 1 Itália
Quartas-de-final
*Coréia 0 x 0 Espanha
Semifinal
Coréia 0 x 1 Alemanha
Decisão de 3º e 4º lugares
Coréia 2 x 3 Turquia

*Nos pênaltis, Coréia 5 x 3 Espanha

Além de Ahn, a seleção apresentou outros talentos. Entre eles os zagueiros Myung-Bo e o meio-campo Sang-Chul, ambos integrantes da seleção da Fifa. Fora do campo, a galera coreana deu um show à parte. Milhões de torcedores, ao coro de Dae Han Min Guk, em português República da Coréia, formaram a maré vermelha que ficará para sempre na memória dos que viram a Copa 2002. E esse povo elegeu um herói: o holandês Guus Hiddinik. O técnico é hoje quase um deus no país. As garotas sonham tê-lo como marido. Muitos o querem para presidente. Ele já virou nome de praça, ganhou quatro anos de primeira classe na principal companhia aérea do país, terá compras e cerveja de graça e receberá uma condecoração das mãos do próprio presidente. Nem as derrotas para Alemanha e Turquia diminuíram seu prestígio. Mas, com o término da Copa, Hiddnik já manifestou o desejo de voltar a treinar um clube europeu. Resta saber se o povo coreano irá deixar.

 

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