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EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002

Na maior moleza
Com belas atuações de Cafu, de Roberto Carlos e do
trio de atacantes, o Brasil mete quatro a zero na China

Edmundo Clairefont

  Robson Fernanades/AE
  A baba da primeira fase: o lateral Cafu esbanja saúde no seu 115º jogo pela Seleção
Primeira Fase: Brasil 4 X 0 China 8 de junho Seogwipo, Coréia do Sul

Na semana de 8 de junho, a Seleção treinou quatro vezes. No primeiro treino, nos campos da ilha Jeju, aguardava a chegada de Ricardinho, meia do Corinthians que, após uma incrível jornada de 51 horas de avião do Brasil até a Coréia do Sul, viria para substituir o capitão Emerson, machucado às vésperas da estréia.

No segundo e terceiro treinos, Luiz Felipe Scolari dava sinais de que a novidade ganharia espaço em nosso confuso meio-campo. No quarto coletivo, no sábado 8, no estádio Jeju, em Seogwipo, a seleção, sem Ricardinho, destroçaria a China, e sacramentaria a classificação precoce para as oitavas.

Uma patada de Roberto Carlos, de falta. Um passe açucarado de Ronaldinho, que cruza a área inimiga e cai no pé de Rivaldo, bastando a ele escorar. Um pênalti bem marcado em cima de Ronaldo (coisa rara num campeonato de arbitragens bisonhas), cobrado por seu homônimo gaúcho. Bela jogada de Cafu, um drible na matada de peito, a corrida à linha de fundo, o toque que faz a pelota cruzar a zaga adversária, qual um balaço que só precisava ricochetear no fenomenal pé esquerdo de Ronaldo, em arrancada característica.

Foi mais ou menos isso, quatro gols, três deles no primeiro tempo, o que o Brasil, sob o talento de seus “erres”, precisou fazer para arrasar Bambala, mas pode chamar de China (coadjuvante que ocupa a 50º colocação no ranking da Fifa). O bastante para colocar a seleção canarinho nas oitavas-de-final (o empate entre Turquia e Costa Rica sacramentaria o dito e riscado).

De resto, um coletivo para testar reservas e colocar Ricardinho, em curta e eficiente atuação no segundo tempo, na boca do povo, como o reserva que todo mundo queria, mas fadado a contemplar o certame de seu privilegiado espaço no assento dos reservas.

Destaques: para o Brasil, os três “erres”, de genialidade inconteste; o lateral Cafu, completando o recorde de 115 jogos oficiais pela seleção; e Roberto Carlos, eleito o melhor em campo, marcando seu primeiro gol em Copas. Para a China, além da correria e uma bola na trave de Marcos, a façanha de passar a segunda etapa inteira sem cometer uma falta. Para isso, bastou não jogar.

Márcio Santos, jogador de futebol:
"Eu já esperava esse resultado elástico. Tanto sabia que, pouco antes do jogo, participando de um programa de televisão, apostei no resultado 4x0. Conheço bem esse time chinês porque, no ano passado, joguei lá. Era uma derrota anunciada, uma derrota normal. É até difícil levantar um destaque. O Brasil só jogou no primeiro tempo. Depois, foi mole, apático. Mesmo assim, cito o Ronaldo, pelo gol que fez. A verdade é que foi uma partida fraquíssima, sem grandes problemas. Não serviu nem para teste"

 

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