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EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002

Jogo-treino de sete gols
O ataque deitou e rolou, mas a defesa parecia um verdadeiro
queijo suíço. Ainda bem que a pelada era contra a Costa Rica

Carolina Cassiano

Kyodo News/AP  
Edmílson: fez um gol que muitos duvidavam que fosse capaz
Primeira Fase: Brasil 5 X 2 Costa rica 13 de junho Suwon, Coréia
 

Vencendo ou não, o Brasil já estava classificado para a primeira fase eliminatória, as oitavas-de-final. Contra a Costa Rica, em Suwon, era um jogo-treino. Partida em que o que importava era fazer o esquema tático de Felipão funcionar. Embora a partida tenha rendido ao Brasil uma vitória com um placar de sete gols, 5 a 2, o time canarinho foi muito criticado. A blitze, como foi apelidado o esquema defensivo em que todos os jogadores devem marcar os adversários, não se mostrou eficiente e o Brasil só não tomou mais gols porque os atacantes da Costa Rica têm problemas de pontaria.

Um empate já levaria o time verde-amarelo ao primeiro lugar do grupo C. Talvez motivados pela classificação antecipada, os jogadores não queriam saber de marcar o adversário, mas apenas gols. Aos nove minutos da primeira etapa, Edílson cruzou rasteiro pela direita para Ronaldo que, empurrou a bola para o gol. A pelota bate em Marin e o juiz dá gol contra do costarriquenho. Três minutos mais tarde, depois de cobrança de escanteio, Ronaldo tenta fazer um gol de cabeça e, no rebote do goleiro Lonnis, chuta no canto direito e amplia para o Brasil.

Ainda no primeiro tempo, o zagueiro Edmílson, que voltou ao time depois de ser
substituído por Kléberson na partida contra a China, fez o gol mais bonito do Brasil
até então. Aos 37 minutos, o lateral esquerdo Júnior, que jogou no lugar de Roberto
Carlos, cruzou para Edmílson. A bola desviou em Wallace e o zagueiro do Brasil aproveitou
a sobra para dar uma meia-bicicleta que levou o time ao terceiro gol. Ainda no primeiro tempo, aos 40 minutos, Wanchope tabelou com Wright e chutou ao gol, fechando o placar do primeiro tempo: 3 a 1.

No início da segunda fase, só deu Costa Rica. O time encontrou facilidade para atacar
e arriscou chutes a gol de fora da área, cruzamentos pela direita e infiltrações pelo meio. No total, a equipe costarriquenha chegou com perigo ao gol brasileiro 19 vezes. Atacou tanto que, aos 11 minutos, Gomez fez o segundo gol da Costa Rica, depois de um cruzamento de Centeno.

O lateral Júnior teve importante participação também no quarto gol brasileiro. Ele cruzou a bola para Rivaldo que chutou no canto esquerdo de Lonnis. Depois de colaborar em dois gols, Júnior teve a oportunidade de conferir o seu tento. Fez o quinto gol da equipe, líder do grupo C, depois de um lançamento de Edmílson.

Nelson Motta, jornalista e escritor
"Assisti à partida em casa, sozinho. Foi uma experiência interessante, diferente.
Eu cobri sete Copas do Mundo e essa foi a primeira que vi aqui do Brasil. É incrível
como aqui você fica realmente no clima. Em outros países, você fica um pouco por
fora do assunto. Eu até fui convidado para assistir no Japão, mas não quis. Estive no Japão duas vezes, gosto de lá. Mas não sabia se seria bom assistir uma Copa lá.
Na Coréia, então, pensei que não ia dar para acompanhar toda a cobertura. O jogo
contra a Costa Rica foi animado, o adversário tinha um bom time. O meu ídolo
coletivo é o Brasil de 82. E eu achei que o futebol apresentado contra a Costa
Rica se aproximou do futebol de 82. Especialmente o estilo do Ronaldo Fenômeno
e do Ronaldinho Gaúcho. Desde o começo, senti firmeza quando vi o time jogando
bonito contra um time que jogava bem. Acho que sou um fanático equilibrado.
Apaixonado por futebol, mas que sabe dizer quando teve um pênalti roubado ou
quando um time está mal. Vejo Copa desde 58. A pior de todas foi a de 90. E a
dos EUA foi a mais chata, de poucas emoções. Bem americana, na verdade. Essa
copa foi cheia de surpresas... a verdadeira copa da globalização. Quem imaginaria a Turquia na semifinal? Apesar da atuação de merda dos juízes, tivemos momentos
de bom futebol. A performance dessa seleção foi melhor do que a França de 1998
e muito superior ao time brasileiro que foi campeão em 94, inclusive a defesa é melhor."

 

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