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EDIÇÃO HISTÓRICA DO PENTACAMPEONATO
30/06/2002

Uma estréia com a benção do juiz
Nervosa, a equipe ganha da Turquia com uma falta
fora da área que o árbitro transformou em pênalti

Carolina Cassiano

Aloar Filho/AE  
Oportunismo: Ronaldo empatou a partida antes de ser substituído por Luizão
Primeira Fase: Primeira Fase Brasil 2 X 1 turquia 3 de junho Ulsan, Coréia
 

A estréia brasileira em sua 17ª Copa foi um espetáculo. Não exatamente de bola, mas um espetáculo teatral. Da vitória por 2 a 1, contra a Turquia, restou na memória dos torcedores, especialmente na dos turcos, as encenações de Luizão (que entrou no segundo tempo e cavou o pênalti que levou o time brasileiro à vitória) e de Rivaldo (que, depois de ser atingido no braço por uma bolada de um adversário, levou as mãos ao rosto, fingindo estar machucado).

Nervosa com a estréia, a equipe de Luiz Felipe Scolari não conseguiu mostrar equilíbrio para mesclar jogadas de meio-campo com armações de ataque pelas laterais. No primeiro tempo, as jogadas se restringiram ao lado direito do campo. O meia Juninho, até então titular, e o lateral-direito capitão Cafu eram as únicas opções para chegar ao ataque. A melhor chance de gol do Brasil, no entanto, surgiu aos 40 minutos de jogo, quando Ronaldo, depois de passar por dois jogadores de marcação, conseguiu cruzar da esquerda e deixar Rivaldo em condições de cabecear. Seria o primeiro gol do Brasil, não fosse o goleiro Recber – aquele que pintava duas tarjas pretas sob os olhos – fazer bela defesa. Sete minutos depois, já nos acréscimos do juiz, Juninho perdeu a bola para Yildiray Basturk, que tocou rápido para Hasan Sas. O atacante turco chutou forte e abriu o placar.

Na segunda metade da partida, em vez de ficar acuado, o Brasil saiu para o ataque. No quinto minuto, Rivaldo cruzou a bola da esquerda para Ronaldo, que, meio sem jeito, um tanto torto, empurrou a pelota para dentro das redes dos turcos e empatou o jogo. Denílson entrou no lugar de Ronaldinho Gaúcho, Luizão substituiu Ronaldo e Vampeta entrou na vaga de Juninho. E com as mudanças o escrete começa a jogar mais pela esquerda. É a vez de Cafu descansar na lateral-direita. O Brasil tenta, mas não consegue chegar ao gol da virada. Até porque o time turco entrou em campo decidido a não deixar o meio-campo brasileiro tocar na bola: foi o jogo mais faltoso até então, com 22 infrações dos turcos e 19 do Brasil. Mas foi a habilidade dos brasileiros que permitiu que o time de Felipão desse 33 dribles para fugir da marcação dos adversários.

Eis que surge o protagonista, aquele que desequilibraria o jogo: o juiz sul-coreano Kim Young Joo, 44 anos. Auxiliado por um bandeirinha de El Salvador e outro de Cingapura, o árbitro foi o grande personagem da partida. Aos 40 minutos, o goleiro Recber saiu mal na bola, Luizão recuperou e, quando partiu em direção à grande área, foi atingido pelo zagueiro Ozalan. A falta foi cometida fora da área, mas o juiz marcou pênalti e expulsou o jogador turco. Rivaldo cobra e coloca o Brasil na frente. No final da partida, o árbitro ainda teve tempo para mais alguns equívocos. Kim marcou um escanteio para o Brasil. Rivaldo se posicionou para cobrar, mas, irritado, o turco Hakan Unsal chutou a bola contra o jogador brasileiro, que fingiu ter sido atingido no rosto. O sul-coreano aceitou a encenação do meia-atacante do Brasil e expulsou mais um turco. A Fifa julgou o caso e fez Rivaldo pagar US$ 19 mil pela marotice. Último ato: os brasileiros agradeceram à inexperiência (ou má intenção) do juiz e comemoraram a estréia vitoriosa no primeiro mundial do século XXI.

Evaristo de Macedo, técnico de futebol
Quando vejo o jogo, não sou técnico, sou torcedor. Até porque as vitórias repercutem positivamente para todos nós que trabalhamos com futebol. O jogo de estréia foi muito equilibrado. Muito mais do que a segunda partida contra a Turquia, nas semifinais, em que o Brasil poderia ter saído com um resultado melhor. No primeiro jogo, o resultado lógico e certo era o empate. Mas nós contamos com uma ajuda extra do juiz da Coréia. O Brasil não pediu a ajuda, aconteceu, ela veio de graça. Não acho que isso foi injusto. No futebol, não existe esse negócio de injustiça. É imprevisível. Agora, quanto ao rendimento dos jogadores, é preciso dar um desconto porque estréia é sempre um momento nervoso. E acabou sendo muito bom porque a vitória levantou a auto-estima do time

 

 

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