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Uma estréia com a benção do juiz
Nervosa,
a equipe ganha da Turquia com uma falta
fora da área que o árbitro transformou em pênalti
Carolina
Cassiano
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Oportunismo:
Ronaldo empatou a partida antes de ser substituído
por Luizão
Primeira Fase: Primeira Fase Brasil 2 X
1 turquia 3 de junho Ulsan, Coréia |
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A estréia brasileira em sua 17ª Copa foi um espetáculo.
Não exatamente de bola, mas um espetáculo teatral.
Da vitória por 2 a 1, contra a Turquia, restou na memória
dos torcedores, especialmente na dos turcos, as encenações
de Luizão (que entrou no segundo tempo e cavou o pênalti
que levou o time brasileiro à vitória) e de
Rivaldo (que, depois de ser atingido no braço por uma
bolada de um adversário, levou as mãos ao rosto,
fingindo estar machucado).
Nervosa com a estréia, a equipe de Luiz Felipe Scolari
não conseguiu mostrar equilíbrio para mesclar
jogadas de meio-campo com armações de ataque
pelas laterais. No primeiro tempo, as jogadas se restringiram
ao lado direito do campo. O meia Juninho, até então
titular, e o lateral-direito capitão Cafu eram as únicas
opções para chegar ao ataque. A melhor chance
de gol do Brasil, no entanto, surgiu aos 40 minutos de jogo,
quando Ronaldo, depois de passar por dois jogadores de marcação,
conseguiu cruzar da esquerda e deixar Rivaldo em condições
de cabecear. Seria o primeiro gol do Brasil, não fosse
o goleiro Recber aquele que pintava duas tarjas pretas
sob os olhos fazer bela defesa. Sete minutos depois,
já nos acréscimos do juiz, Juninho perdeu a
bola para Yildiray Basturk, que tocou rápido para Hasan
Sas. O atacante turco chutou forte e abriu o placar.
Na segunda metade da partida, em vez de ficar acuado, o
Brasil saiu para o ataque. No quinto minuto, Rivaldo cruzou
a bola da esquerda para Ronaldo, que, meio sem jeito, um tanto
torto, empurrou a pelota para dentro das redes dos turcos
e empatou o jogo. Denílson entrou no lugar de Ronaldinho
Gaúcho, Luizão substituiu Ronaldo e Vampeta
entrou na vaga de Juninho. E com as mudanças o escrete
começa a jogar mais pela esquerda. É a vez de
Cafu descansar na lateral-direita. O Brasil tenta, mas não
consegue chegar ao gol da virada. Até porque o time
turco entrou em campo decidido a não deixar o meio-campo
brasileiro tocar na bola: foi o jogo mais faltoso até
então, com 22 infrações dos turcos e
19 do Brasil. Mas foi a habilidade dos brasileiros que permitiu
que o time de Felipão desse 33 dribles para fugir da
marcação dos adversários.
Eis que surge o protagonista, aquele que desequilibraria
o jogo: o juiz sul-coreano Kim Young Joo, 44 anos. Auxiliado
por um bandeirinha de El Salvador e outro de Cingapura, o
árbitro foi o grande personagem da partida. Aos 40
minutos, o goleiro Recber saiu mal na bola, Luizão
recuperou e, quando partiu em direção à
grande área, foi atingido pelo zagueiro Ozalan. A falta
foi cometida fora da área, mas o juiz marcou pênalti
e expulsou o jogador turco. Rivaldo cobra e coloca o Brasil
na frente. No final da partida, o árbitro ainda teve
tempo para mais alguns equívocos. Kim marcou um escanteio
para o Brasil. Rivaldo se posicionou para cobrar, mas, irritado,
o turco Hakan Unsal chutou a bola contra o jogador brasileiro,
que fingiu ter sido atingido no rosto. O sul-coreano aceitou
a encenação do meia-atacante do Brasil e expulsou
mais um turco. A Fifa julgou o caso e fez Rivaldo pagar US$
19 mil pela marotice. Último ato: os brasileiros agradeceram
à inexperiência (ou má intenção)
do juiz e comemoraram a estréia vitoriosa no primeiro
mundial do século XXI.
Evaristo
de Macedo, técnico de futebol
Quando vejo o jogo, não sou técnico, sou torcedor.
Até porque as vitórias repercutem positivamente
para todos nós que trabalhamos com futebol. O jogo
de estréia foi muito equilibrado. Muito mais do
que a segunda partida contra a Turquia, nas semifinais,
em que o Brasil poderia ter saído com um resultado
melhor. No primeiro jogo, o resultado lógico e certo
era o empate. Mas nós contamos com uma ajuda extra
do juiz da Coréia. O Brasil não pediu a ajuda, aconteceu,
ela veio de graça. Não acho que isso foi injusto.
No futebol, não existe esse negócio de injustiça.
É imprevisível. Agora, quanto ao rendimento dos
jogadores, é preciso dar um desconto porque estréia
é sempre um momento nervoso. E acabou sendo muito
bom porque a vitória levantou a auto-estima do time |
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