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Um povo cinco estrelas
O mundo assistiu, neste domingo 30 de junho de 2002, a um
raro exemplo de potência e combatividade de um povo.
E aqui não se trata de ufanismo cego e inconsequente,
pois é impossível dissociar o que foi mostrado
em Yokohama da personalidade do povo brasileiro. O grupo que
trouxe o penta do Japão levou para lá uma fiel
amostragem do que somos capazes.
Depois do calvário da fase de classificação,
a delegação, liderada por Luiz Felipe Scolari,
desembarcou na Coréia desacreditada pela opinião
pública nacional e internacional, e, com um brilhante
trabalho de recuperação, baseado na disciplina,
na alegria e na solidariedade, demonstrou notável poder
de superação e combate à adversidade.
Felipão, nosso técnico, deu uma aula de liderança,
perseverança e estratégia, em que uma abençoada
teimosia estava entre suas maiores qualidades: amaldiçoado
por não ter convocado Romário, execrado por
usar três zagueiros, o treinador desprezou críticas,
ignorou pressões, teimou e mostrou que tinha razão.
Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Cafu e cia. deram um show de
caráter, organização, habilidade, união
e garra, muita garra. E essas, apesar de eventualmente esquecidas,
são qualidades inerentes ao povo brasileiro.
Vencida a guerra do penta, essas qualidades são armas
à disposição para uso em outras batalhas
que travamos diariamente. Como a guerra contra a violência
e o desemprego,
a guerra para defender e educar nossas crianças e a
guerra contra o capital internacional especulativo e predador
que humilhou a Argentina e insiste em testar a nossa integridade.
O exemplo de Yokohama vai, com certeza, ajudar a fazer do
Brasil um país melhor.
P.S. Esta é, em um mês, a quarta edição
com capa dedicada à Seleção Brasileira.
ISTOÉ, além de independente, é uma revista
que acredita no Brasil.
Hélio Campos Mello, Diretor de Redação
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