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Palhares, o desafortunado
A CPI do Narcotráfico reuniu-se em Brasília na quinta-feira
25 para ouvir o legista Fortunato Badan Palhares, acusado de fabricar
laudos para o crime organizado. Acuado pela recusa de um habeas-corpus
preventivo que o impediria de sair preso da CPI, contestado pelos
senadores e pelo seu colega de profissão Domingos Torchetto
- recrutado para auxiliar nos trabalhos - e constrangido por uma
crise renal, Badan durante 11 horas tentou responder às perguntas,
mas caiu em diversas contradições, como mostra a reportagem
do editor Andrei Meireles à pág. 30 desta edição.
Os senadores não conseguiram comprovar a ligação
do legista com o crime organizado e agora pediram a quebra dos sigilos
bancário e telefônico de Badan. Já nos laudos
da morte de PC Farias e sua namorada; do vice-governador da Paraíba
Raymundo Asfora; e do menino José Antonio Britto Júnior,
morto em 1987, no Maranhão, supostamente a mando do ex-deputado
José Gerardo de Abreu, Fortunato Badan Palhares não
convenceu. Agora, além da quebra do sigilo, a CPI pretende
levar o legista para acareações com vários
personagens dos crimes, inclusive Augusto Farias, acusado de ser
o mentor da morte do próprio irmão.
Badan Palhares vive agora um momento bem diferente daquele que
experimentou em Alagoas, três anos atrás, quando para
lá foi fazer o laudo de PC e sua namorada, sendo recebido
como celebridade. Hoje, ele é acusado de vender laudos, ter
cobrado por vias tortas R$ 14 mil da Igreja para reconstituir o
rosto do fundador da Ordem dos Irmãos Maristas, apropriar-se
de um microscópio da Unicamp, etc., etc. Para se ter uma
idéia aonde chega o infortúnio de Palhares, o jornalista
Cláudio Humberto, em sua coluna na quinta-feira no site do
Zaz, na Internet, diz que o Instituto Nacional de Fenômenos
Aeroespaciais está responsabilizando o legista por ter sumido
com o ET de Varginha. Realmente, bem pouco "fortunato"
o sr. Badan Palhares...
Hélio Campos Mello, diretor de redação
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