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2 de abril de 1997

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Choque de dossiês


Ao conferir às comissões parlamentares de inquérito os mais ágeis poderes de investigação de escândalos, como a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos, a Constituição de 1988 conseguiu reduzir o corruptômetro da política brasileira. Ainda que a Justiça demore a se pronunciar sobre as conclusões de uma CPI, como aconteceu no Caso PC e nas investigações da Máfia do Orçamento, a divulgação das mazelas tem ajudado a interromper a ação criminosa. Os holofotes de uma CPI, contudo, não servem apenas para iluminar áreas nebulosas do submundo de governos, empreiteiras ou bancos. No país da impunidade, a perseguição a corruptos ou a esquemas mafiosos leva à imediata projeção nacional os encarregados de comandar as investigações. Os holofotes também acendem vaidades e estimulam ambições políticas.

Nos últimos dias, a CPI que apura a roubalheira na emissão de títulos públicos de 11 Estados e prefeituras passou a enfrentar o outro lado do estrelato. Os acusados foram atrás de acusações que pudessem transformar mocinhos em bandidos. Não foram poucos os dossiês produzidos neste período. Não foram poucas as pessoas que tomaram conhecimento deles. Em duas semanas de investigações em Brasília, Santa Catarina e Paraná, o editor Andrei Meireles e o fotógrafo Roberto Jayme recolheram mais de 200 páginas de documentos com denúncias contra as principais estrelas da CPI dos Precatórios. "Teve um momento em que os emissários de um grupo quase cruzaram com os emissários de outro grupo que foram ao meu encontro levando pilhas de documentos", relata Andrei.

Ao examinar a papelada, ele acionou os repórteres de ISTOÉ em Brasília, São Paulo e Nova York para checar as informações e ouvir os implicados. Foi um trabalho para separar as informações verdadeiras das plantações comprometedoras. As informações, por mais incômodas que possam ser aos senadores que realizam o produtivo trabalho de investigação, auxiliam o leitor a conhecer melhor os políticos que quase diariamente aparecem na televisão anunciando as novidades da CPI. As plantações expõem a brutalidade do jogo de bastidores. Ao revelá-las na forma como elas são, de simples armações feitas para tentar prejudicar as investigações, a imprensa impede que cresçam. Nesta edição, ISTOÉ divulga parte da guerra de dossiês que se trava à sombra dos holofotes da CPI. O leitor tem o direito de saber o que é denúncia fundamentada e o que é apenas denuncismo difamatório.




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