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Brasil  
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A rebelião dos ministros do TCU
Como a atuação do emissário do Planalto, o desconhecido Walton Alencar Rodrigues, provocou a ira de toda a corte

Sérgio Pardellas

O Tribunal de Contas da União (TCU) está em clima de revolta. Para contra-atacar a pressão que vêm sofrendo do Palácio do Planalto, muitos ministros estão carregando nas tintas quando o objeto do parecer é uma obra do governo. Apenas este ano, os ministros identificaram problemas em 41 obras federais, sendo 30 do PAC.

O motivo da rebelião é que o governo escalou o ministro Walton Alencar Rodrigues, do próprio TCU, para tentar resolver seus impasses com o tribunal. Desde o ano passado, Rodrigues tenta evitar pedidos de paralisação de obras, de olho na campanha eleitoral de 2010. No entanto, em vez de destravar as obras, ministros, inconformados com o que chamam de "interferência acintosa", decidem o contrário.

"Não aceitamos essa ingerência, principalmente da maneira como ela tem sido feita", reclamou um dos membros da corte. Um dos problemas é o estilo pouco diplomático de Rodrigues. "Deixa comigo que eu mato no peito", costuma repetir o ministro, que é bem relacionado com a titular da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Pela tarefa que executa, Rodrigues espera que o governo atenda a seus pleitos. Um deles é a nomeação de sua mulher, Maria Isabel Gallotti Rodrigues, desembargadora do TRF da 1a Região, para o Superior Tribunal de Justiça.

Conforme apurou ISTOÉ, em mais de uma sessão de votações Rodrigues circulou pelo plenário do TCU com uma lista, em planilha excel, de obras consideradas prioritárias pelo governo, perguntando aos respectivos relatores como eles pretendiam votar e o que poderia ser feito para resolver as pendências.

Um dos casos mais rumorosos envolveu as obras do metrô de Salvador, um projeto do PAC. Na tentativa de remover os entraves do TCU à obra, Rodrigues promoveu um jantar em sua residência que reuniu todos os colegas do tribunal e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, um dos entusiastas do empreendimento. O encontro constrangeu e irritou o auditor responsável pela fiscalização do metrô, Augusto Sherman.

 

 

30/10/2009


 
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