O Partido do Movimento Democrático Brasileiro, PMDB, é a maior tropa política do País. Tem 8.497 vereadores, 1.119 prefeitos, 170 deputados, nove senadores e seis ministros. Em toda eleição, a legenda costuma valorizar esse poderio. Ele seria realmente imbatível e indispensável se não fosse o fato de que, desde a redemocratização do País, este exército nunca marchou unido.
Na terça-feira 20, mais uma vez, uma parte dele subiu à rampa do poder para oferecer seus serviços ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT na eleição presidencial. Em jantar no Palácio da Alvorada, com filé e costela de tambaqui, os dois partidos fecharam um tratado de intenções. O problema é que na guerra interna do PMDB esse documento ainda tem pouco significado, ou melhor, carece de garantia de que o batalhão possa somar alguma coisa para a candidatura da ministra Dilma Rousseff.
Enquanto a batalha final não for travada - e isso só ocorre em junho de 2010 na convenção nacional do partido -, qualquer candidato que disputa o apoio do PMDB ainda terá incertezas se poderá contar com a arma mais poderosa desse exército: o tempo de televisão no horário eleitoral gratuito. Por ora, resta o velho embate orgânico. De um lado, o deputado Michel Temer (SP), que monta estratégia para ser o vice de Dilma, propagando o feito etéreo de que o partido irá "agora participar de todo o processo da candidatura, desde o nascedouro". De outro, o ex-governador Orestes Quércia - que pretende colocar a tropa a serviço da candidatura do governador tucano José Serra - bombardeando o tratado com o PT: "Foi uma violência, o Michel vendeu uma mercadoria que ele não tem como entregar", disse Quércia.
Na semana passada, ISTOÉ consultou os dirigentes dos 27 diretórios estaduais do PMDB sobre a suposta aliança com o PT. A conclusão da pesquisa é que o nome de Dilma não é, de fato, uma unanimidade nas bases do PMDB, mas está longe de ser uma aposta arriscada. A dez meses da eleição presidencial, 11 Estados não fecharam com ela, mas 16 são pró-Dilma. A situação é mais delicada porque, entre os 11 indefinidos, cinco deles declaram apoio a Serra. Pior: três dos Estados que são contabilizados como certos pelo lado governista - Bahia, Minas Gerais e Pará - ainda correm o risco de deserção. Juntos esses três Estados somam 134 votos dos 719 convencionais. Este resultado dificulta a tarefa dos governistas de mobilizar a tropa a favor de Dilma.
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