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Cultura  
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Cinema
O elegante feminismo de coco chanel
Filme mostra a juventude da estilista que criou roupas para a mulher emancipada e moderna do século XX

Ivan Claudio

ATITUDE
A atriz Audrey Tautou no filme "Coco Antes de Chanel". Ela interpreta a estilista que rompeu com as vestimentas pesadas e se tornou um ícone francês no início do século XX

Um típico baile chique da belle époque francesa ocupa uma passagem reveladora do filme "Coco Antes de Chanel" que estréia na sexta-feira 30, aguardada produção sobre a vida da famosa estilista francesa Gabrielle Chanel - vai de sua infância interiorana até a consagração em Paris. Estamos no início do século XX e as mulheres aparecem todas de branco, envoltas em frufrus, golas altas e cinturas marcadas pelo sufocante espartilho. E eis que surge Coco Chanel (nesse momento ainda uma cortesã vivendo às custas do rico oficial da infantaria e criador de cavalos Étienne Balsan) enfiada em um vestido preto, de decote generoso e corte tão simples que lhe permite os mais leves e graciosos volteios.

Nos braços de seu amante, o sedutor inglês Arthur "Boy" Capel (Balsan havia lhe "emprestado" a moça por dois dias), Coco Chanel faz ao parceiro o comentário mundano: "As mulheres não tiram os olhos de você". Ao que Boy responde: "Não é verdade. Elas não tiram os olhos é de você". Os fashionistas situam facilmente essa cena na trajetória de Chanel, o grande ícone da alta costura em todos os tempos: trata-se da gênese do chamado "pretinho básico", ou seja, o vestido de crepe preto, feito de um tecido e numa cor não indicados para trajes de gala femininos. De outro lado, mesmo sob essas frivolidades há de ser reconhecer aí a gestação de uma nova mulher: aquela que transforma seu corpo e a maneira de adorná-lo numa atitude, quase uma afronta. Ou seja: Uma feminista antes que a palavra existisse.

FIGURINO A produção usou modelos verdadeiros da estilista na cena final. À esquerda, Audrey finaliza um vestido na já famosa Maison Chanel

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22/10/2009


 
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