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Cultura  
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Cinema
Alô, alô, seu chacrinha
Filme lembra a polêmica e irreverente anarquia do apresentador de tevê

Ivan Claudio

TROPICALISTA Chacrinha vestia-se como palhaço e inspirou Gilberto Gil e Caetano Veloso

Existe uma geração que não viu ao vivo o apresentador de televisão Abelardo Barbosa (19171988), que usava o nome artístico de Chacrinha e era adorado pelos tropicalistas a ponto de ser homenageado por Gilberto Gil na música "Aquele Abraço", lançada durante a ditadura militar. A última vez que ele apareceu na tela foi em 1988, quando apresentava na Rede Globo o programa "Cassino do Chacrinha". A partir da sexta-feira 30, a sua figura circense e debochada vai estar novamente "balançando a pança" (verso de Gil) no filme "Alô, Alô, Terezinha", de Nelson Hoineff, documentário que tem arrancado gargalhadas nos festivais de cinema - muitas delas pelo constrangimento a que são submetidos os entrevistados. Exemplos: a cena em que a ex-chacrete Índia Potira, apesar de ser hoje uma senhora, aparece nua, coberta apenas por alguns adereços. Ou então aquela em que outra ex-chacrete, Rita Cadillac, conversa com um fã em sua cama - ele participa de uma comunidade da internet que presta tributo nada elegante a ela. "Não me interessa o politicamente correto", diz Hoineff.

O cineasta teve acesso a todo material existente de Chacrinha em sua passagem pelas tevês Tupi, Globo e Bandeirantes. Selecionou cerca de 150 horas de gravações nas quais aparecem chacretes, calouros e artistas. A partir daí, foi atrás dos personagens para que eles relembrassem suas participações no programa. A fórmula rendeu momentos ótimos, como a presença de Baby Consuelo - ela surge, numa cena do passado, dançando com Chacrinha, de nariz colado, na música "Sem Pecado e Sem Juízo". Hoje, evangélica, acredita ser capaz de exorcisar pessoas possuídas pelo demônio através do celular. Segundo Hoineff, a cantora não se incomodou em ver um desses seus exorcismos no filme. Alguns calouros foram redescobertos, como aquele que recebeu inúmeras vezes o "troféu abacaxi" - era humilhado mas se candidatava de novo. E tem a figura genial de Chacrinha, que, na opinião de Hoineff, hoje não teria espaço na tevê: "Ele seria barrado pelos parâmetros da moral e da estética hegemônica."

 

 

22/10/2009


 
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