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Especial 13 anos
Corpo em Mutação
Jovens não entendem que seus corpos ficarão desproporcionais por um tempo. E, na busca de soluções rápidas, ultrapassam limites

Suzane G. Frutuoso e Maíra Magro

Lidar com o tempo aos 13 anos é difícil. Não apenas pelo querer tudo o que é almejado já, como se amanhã fosse tarde demais. Mas também para compreender que as mudanças velozes sofridas pelo corpo, agora um tanto desproporcional, o impedirão de ser harmonioso por até dois anos. A acne, o cabelo desajeitado e os dentes precisando de aparelhos também pioram a autoimagem diante do espelho. Na pesquisa realizada por ISTOÉ com 82 alunos de duas escolas de São Paulo (SP) e do Recife (PE), o rosto (óculos, espinhas, cabelo) era o que mais chateava a maioria, 24,4%. Sem apoio nem compreensão, devido à falta de conhecimento dos pais para explicar o por quê dessas alterações, garotos e garotas nesta fase podem considerar a própria aparência uma inimiga. Porém, buscar a solução em atividades físicas e tratamentos estéticos é perigoso. Pior quando a busca é acompanhada do desejo de perfeição tão difundido na sociedade contemporânea. “A natureza foi rápida com aquele que entra na adolescência. Na cabeça dele tem que existir um jeito de também arrumar rápido o que incomoda”, diz a ginecologista Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Programa do Adolescente da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

Nesta idade, eles não podem ser submetidos a cirurgias plásticas e tratamentos químicos, como escovas progressivas. Mas encontram outras formas de cuidar da aparência. A estudante carioca Giovana Anuda tem preocupações de mulher adulta. Ela reconhece que não está acima do peso, mas faz ginástica três vezes por semana para emagrecer. “É por vaidade mesmo”, diz. “Quero evitar o surgimento de barriga e não ficar sedentária.” Durante uma hora, pratica musculação, esteira e bicicleta, em um programa de treinamento específico para adolescentes, na academia Velox, no Rio de Janeiro. Apesar da pouca idade, também já depila as pernas com cera. É preciso tomar cuidado nessa fase. A médica Albertina realizou uma pesquisa em que 67% das garotas afirmavam não gostar do corpo. Muitas delas pulavam refeições para emagrecer.

Para o menino, o crescimento dos testículos antes do pênis e a estatura menor do que a da menina o deixam preocupado com a masculinidade. Há o medo de falhar, de não agradar. Tanta ansiedade leva a atitudes agressivas. O hebiatra Paulo César Pinho Ribeiro,presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, conta que uma das conclusões de sua tese de mestrado indicava 22,5% dos adolescentes insatisfeitos com a imagem corporal em 2004. Um outro trabalho da Universidade Federal de Minas Gerais, de 2007, mostrou um crescimento considerável nesse quesito: 62,6% não gostavam do próprio corpo (33,7% queriam ser mais magros). “A valorização do culto ao corpo na nossa cultura desencadeia cada vez mais distúrbios”, diz o médico. Anorexia, bulimia, vigorexia (o indivíduo nunca se acha forte o bastante), depressão, atitudes de risco pela baixa autoestima (como uso de álcool e drogas e tentativas de suicídio) estão entre os transtornos.

Mas é bom lembrar que o comportamento adolescente é reflexo da sociedade. “Quem não é belo é punido no intercâmbio afetivo, é ridicularizado pelos demais”, diz o filósofo Clóvis de Barros Filho, professor de ética da Universidade de São Paulo (USP) e da Casa do Saber. “A corrida pelo investimento estético é copiada dos adultos.” O psiquiatra Içami Tiba diz que as dificuldades aumentam ainda mais nessa época da vida porque os jovens, até então, foram acostumados a resolver todos os seus problemas pedindo ajuda aos pais. Mas, nesse caso, nem os pais podem ajudar a apressar a maturação do corpo em estado desajeitado. “Eles não sabem lidar com a aparência em parte por não saberem lidar com a frustração”, diz. Por isso, o papel dos pais para que o jovem se aceite é fundamental. São eles que devem oferecer ajuda no que for possível – uma limpeza de pele, uma proposta de alimentação saudável, uma conversa carinhosa, uma imposição de limite quando a preocupação com a aparência está excessiva. E muita paciência, para mostrar que, logo, logo, eles vão desabrochar.

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15/10/2009


 
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