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Economia & Negócios  
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Economia
A conspiração contra a Vale
Por defender o interesse de seus acionistas, mineradora desperta ira do governo e corre o risco de sofrer ingerência indevida do Estado

Octávio Costa

O ALVO
Roger Agnelli se tornou "persona non grata" no Planalto
A FLECHA
O governo tentou usar Eike Batista para intervir na companhia

Durante a era Lula, o presidente da Vale, Roger Agnelli, sempre foi recebido no Palácio do Planalto com pompa. Nos eventos oficiais, sua presença era sempre festejada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o chamava de "companheiro Agnelli". Dirigente da segunda maior empresa do País, Agnelli simbolizava o apoio da iniciativa privada aos projetos do governo petista. Mas, depois da crise econômica internacional, o executivo caiu em desgraça em Brasília. Lula gostaria que a Vale fosse tão dócil aos seus ditames quanto a Petrobras. Mas Agnelli, ao defender os interesses da mineradora e de seus acionistas, bateu de frente com os projetos públicos. O que deu origem a uma forte reação do Planalto, que não vê a hora de afastá-lo do comando da Vale. Assustado, Agnelli diz a amigos que é vítima do "entorno ideológico" próximo ao presidente Lula. Na segunda-feira 19, ele terá a chance de contar isso a Lula. O presidente receberá Agnelli em uma audência oficial na sede do governo para discutir a questão.

"Nunca nos faltou apoio em Minas. Com o apoio do governo vamos investir forte e nos comprometemos a acelerar os investimentos"
Roger Agnelli, presidente da Vale

O rol de queixas do Planalto é extenso. Começa com as demissões durante a crise e se estende à resistência da Vale em comprar navios de estaleiros nacionais. No dia 8 de setembro, em reunião destinada a aparar arestas, entre Lula, Agnelli, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, Mantega fez o papel de carrasco e arrolou as frustrações do governo com a mineradora. Criticou o baixo investimento em siderurgia e a acomodação ao tradicional perfil de exportadora de matéria-prima. A conversa terminou em bate-boca. Ao fim do encontro, o presidente Lula comentou que o diálogo com Agnelli estava definitivamente rompido. Agnelli argumenta que a Vale compra navios no Brasil, desde que tenham qualidade, preços e prazos de entrega compatíveis com os do mercado internacional.

As explicações da Vale caem no vazio, pois Lula já concluiu que falta a Agnelli visão de Estado. Até mesmo a campanha publicitária para justificar as ações da empresa é fortemente criticada. "Se a Vale pegasse o dinheiro gasto em propaganda, poderia fazer bons investimentos no Brasil", alfineta um dos auxiliares de Lula. O Planalto passou a considerar Agnelli "arrogante" e "hostil". O presidente não perdoa as demissões em massa e o corte de produção, que considerou precipitado, logo no início da crise econômica. Também entra na conta o adiamento dos investimentos no Pará. O presidente Lula visitou a região, em 2008, e prometeu que ali se criaria um importante polo siderúrgico, com investimentos de US$ 7,5 bilhões. Mas o projeto não saiu do papel. E o Planalto sentiu-se no direito de interferir na vida de uma empresa privada, que emprega 60 mil pessoas e lucrou R$ 21,3 bilhões em 2008. Desde a privatização em 1997, seu valor de mercado saltou de US$ 7,917 bilhões para US$ 125,266 bilhões.

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15/10/2009


 
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