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Comportamento especial 13 anos
Tempo de desobediência
Educadores precisam de paciência e estratégias pedagógicas para lidar com a explosão hormonal dos novos adolescentes

Suzane G. Frutuoso

fotos: Marcos Campos/ag. istoé
NA LINHA Aos 13, Rodrigo se tornou agitado e disperso: "Conversava um monte e era convidado a me retirar". Teve a atenção chamada na escola e voltou a focar nos estudos

Quem completa 13 anos está com a cabeça muito ocupada. Os amigos viram uma família, o sexo oposto está à espreita, há milhares de músicas para baixar na internet, muita gente para falar ao mesmo tempo no MSN e baladas a serem combinadas. Não impressiona perceber que a escola fica em segundo plano. Nessa fase, os educadores observam uma queda no rendimento escolar e, em alguns casos, passam a ter a autoridade questionada por alunos com hormônios à flor da pele. Mas, apesar de viverem nesse turbilhão emocional, os pré-adolescentes gostam da escola. Na pesquisa realizada por ISTOÉ com 100 alunos de três colégios de São Paulo (SP), Curitiba (PR) e do Recife (PE), 79% dos jovens consideraram a instituição muito importante em suas vidas - nota A é a avaliação das escolas para 43% deles. O problema para eles é ter de conciliar conflitos e novidades com as tarefas escolares.

"Eles querem tudo rápido e ao mesmo tempo", diz a psicóloga Sandra Hoffman, orientadora educacional do Colégio Positivo, em Curitiba. Estudos indicam que o cérebro entrando na adolescência apresenta um aumento no funcionamento do hipotálamo, responsável pelas emoções e a libido. Essa reação cerebral faz com que os jovens se preocupem demais com relacionamentos e acreditem ser donos da verdade.

Há os que agem com agressividade e são respondões. É a imaturidade emocional, um empecilho para o entendimento de que há maneiras educadas de reivindicar. "Eles têm o direito de questionar e é natural da idade. Porém, respeito e disciplina são indispensáveis", diz Sandra. Graças à ideia de invencibilidade, alguns desafiam perigosamente os limites e iniciam as experimentações com álcool e drogas. Uma pesquisa do projeto Este Jovem Brasileiro, do Portal Educacional, avaliou que 37% dos jovens com 13 anos beberam álcool alguma vez.

Felizmente, a maioria dos meninos e meninas dessa idade ainda se atrapalha mesmo devido à farra. O estudante Rodrigo Nascimento Petty, de Curitiba, sempre foi bom aluno. Percebeu, porém, que com a chegada da adolescência se tornou mais agitado e disperso. Nos últimos meses perdeu o foco em sala de aula e caiu na bagunça. "Conversava um monte e acabava convidado a me retirar", conta. Os pais receberam uma carta do colégio, que também chamou Rodrigo para uma conversa. A direção explicou quanto ele poderia prejudicar seu desenvolvimento e o mudou de classe. Outro inimigo da nova fase adolescente é o sono.

A hiperfuncionalidade do hipotálamo também os leva a sentir vontade de dormir além da conta. "Notei que preciso cochilar à tarde. Não fazia isso antes", afirma Rodrigo. Entrar a madrugada no computador também é motivo corriqueiro para as sonecas em sala de aula. No Colégio Apoio, no Recife, pais e alunos participam de palestras nas quais a importância do sono é ressaltada. "Explicamos que, para aprender bem, corpo e mente precisam do descanso adequado", diz a diretora pedagógica Terezinha Cysneiros de Magalhães. Já não tomar café da manhã causa hipoglicemia, baixa de açúcar no sangue que pode levar ao cansaço.

fotos: Marcos Campos/ag. istoé
IMEDIATISMO A orientadora educacional Sandra Hoffman admite que é difícil monitorar essa fase: "Eles querem tudo rápido e ao mesmo tempo"

No geral, a atual geração de 13 anos é desafiadora porque aprendeu a negociar desde a infância. Não existe o obedecer por causa de uma hierarquia. É um grupo que valoriza o trabalho colaborativo e dispensa maneiras ortodoxas de comunicação. Também apresenta maior preocupação social, ambiental e aceita melhor a diversidade.

Fatores que influenciam no modo como eles desejam absorver a educação. O diálogo franco é um caminho para ganhar a garotada. Mas a maior aliada das escolas atualmente é a tecnologia. Para atrair a atenção de jovens imersos em games e internet, lousa, professor e decoreba não são suficientes. "Instituições com um perfil mais tecnológico e com pedagogias alternativas têm sido mais criativas na maneira de passar o conhecimento", diz Paulo Al-Assal, diretor da empresa de pesquisas Voltage. Lidar com o aluno antenado, que aprendeu a escrever no teclado e não com lápis, exige o uso da internet como ferramenta.

A diretora Terezinha, porém, afirma que sozinha a tecnologia não desenvolve toda a capacidade dos estudantes. "Pesquisas em livros e a campo não são dispensadas. São aprendizados que pedem outras competências." Há um perigo que ronda o uso da internet e vem preocupando os colégios: o cyberbullying. São as velhas provocações entre colegas, mas agora capazes de tomar proporções tão grandes quanto o alcance da rede, que permite aos autores de ameaças permanecerem anônimos e faz o medo da vítima aumentar ainda mais.

Entre os jovens que responderam à pesquisa de ISTOÉ, 30% já ofenderam colegas pelo computador e 35% sofreram ofensas. Um quadro preocupante, que pode prejudicar mais o desempenho escolar do que dormir em classe ou ter a atenção chamada por causa de bagunça.

 

 

15/10/2009


 
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