Um dos maiores objetivos da medicina é substituir órgãos humanos defeituosos por outros, novinhos, ou pelo menos trocar a parte imperfeita, sem que seja necessário fazer um transplante. Na última semana, o anúncio de três novos experimentos mostrou que a meta está cada vez mais perto, pelo menos na área da cardiologia. Cada um a seu modo, os estudos demonstraram, pela primeira vez, que há boas chances de a ciência conseguir reconstruir o coração.
O trabalho com resultados mais impressionantes foi realizado na Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Coordenados pelo professor Charles Murry, os pesquisadores desenvolveram um pedaço de tecido do músculo cardíaco capaz de se contrair e de pulsar em um ritmo equivalente a até 120 batimentos por minuto – o coração de um adulto em repouso apresenta a média de 70 batimentos por minuto. Em um vídeo preparado pelos cientistas, é possível, inclusive, ver a amostra pulsando.
Para gerar o que os pesquisadores chamam de “adesivo” cardíaco, os estudiosos de Washington usaram células- tronco humanas. O segredo do sucesso da experiência, nesse caso, foi a mistura de células-tronco capazes de gerar células do músculo cardíaco com células-tronco que dão origem a vasos sanguíneos. Os cientistas decidiram fazer essa combinação depois de constatarem que amostras confeccionadas em estudos anteriores não se mostraram promissoras justamente pela falta de uma rede de irrigação sanguínea que garantisse o suprimento dos nutrientes necessários ao seu funcionamento. “Aprendemos que a interação entre as células do músculo do coração e as células vasculares é a chave para garantir que o tecido sobreviva depois de implantado”, explicou Murry à ISTOÉ. “Ficamos muito felizes quando conseguimos ver que, com o suporte dos vasos sanguíneos, ele funciona.”
No experimento conduzido na Universidade de Duke, também nos Estados Unidos, os pesquisadores usaram células-tronco extraídas de animais para gerar células de tecido muscular cardíaco. E adicionaram a elas células de fibroblastos cardíacos, fundamentais para dar suporte ao crescimento do tecido. Em seguida, o material foi colocado em um molde tridimensional, por meio do qual foi possível controlar a direção em que as células proliferavam. Ao final, os cientistas verificaram que o adesivo – a exemplo daquele que foi criado na Universidade de Washington – manifestou a habilidade de se contrair e de conduzir impulsos elétricos, dois dos mais importantes atributos das células cardíacas.
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