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Pompeia Brasileira
Área dinamitada para construção de represa será transformada em parque arqueológico e ambiental

Jaqueline Mendes

PESQUISA IN LOCO Arqueólogos escavam as ruínas de São João Marcos, no Rio de Janeiro

A cidade de São João Marcos, no Estado do Rio de Janeiro, está literalmente voltando à vida. O município estava esquecido desde 1940, quando foi despovoado para a construção de uma represa. Suas ruínas não ficaram completamente sob as águas como o planejado, e os restos de sua história permaneceram encobertos pela mata. Depois de um minucioso trabalho de avaliação do potencial arqueológico, a cidade histórica do Vale do Paraíba entra agora na etapa de definição do futuro Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos.

PASSADO REGISTRADO A antiga igreja matriz da cidade, destruída em 1940

A cidade, marcada por diversas construções coloniais, já vinha sofrendo com a crise do café. Mas seu fim chegou quando Getúlio Vargas permitiu a extensão do Ribeirão das Lages para atender à demanda por energia da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com o diretor do Instituto Light, que está à frente do projeto, Mozart Vitor Serra, “se na época fossem aplicados os conceitos atuais sobre meio ambiente e proteção ao patrimônio, São João Marcos teria sido salva”.

A previsão é de que em março de 2010 o parque já esteja funcionando. “Será o primeiro parque urbano arqueológico do País”, diz Serra. Para Ondemar Dias Júnior, diretorpresidente do Instituto de Arqueologia Brasileira, responsável pelo projeto arqueológico do parque, trata-se de um “fato histórico, relevante para a cultura nacional”. E ele vai ainda mais longe. “Teremos dois grandes eventos internacionais nos próximos anos (a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016), e um parque como esse é mais uma alternativa aos visitantes”, diz Dias Júnior. Ao que tudo indica, nossa “Pompeia brasileira” poderá cumprir o papel com perfeição.

Fotos: Nkik Davidov/AFP; Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem; Fabio Motta/Ag. Estado; Divulgação Light

 

 

15/10/2009


 
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