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Cultura  
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Livros
O Pianista de Hitler
O ditador nazista tinha um concertista à disposição que só tocava músicas de Wagner

Natália Rangel

Fundo Musical
Íntimo de Hitler, Putzi (de costas) era chamado tarde da noite para tocar ao piano. Na foto, eles estão numa recepção na casa de Goebells

Foi durante a formação do Partido Nacional Socialista na década de 1920, sob a histriônica liderança de Adolf Hitler, que o talentoso pianista alemão Ernst "Putzi" Hanfstaengl desembarcou em seu país após mais de uma década nos EUA. Mais precisamente, na cidade de Munique, onde travaria o seu primeiro contato com Hitler ao assistir a um discurso proferido por ele em uma cervejaria local. Foi amor à primeira vista. Considerou o líder nazista o perfeito modelo de político que a Alemanha necessitava para voltar a crescer e se recuperar da destruição provocada pela Primeira Guerra Mundial. E Putzi, como era chamado, teria muito a contribuir na sua trágica ascensão ao poder. É o que revela, com riqueza de detalhes, a biografia "O Pianista de Hitler" (José Olympio), do pesquisador britânico Peter Conradi. O livro ilumina a trajetória desse milionário alemão que apoiou o regime nazista com entusiasmo e depois, amedrontado pelos rumos que o movimento tomou e pelo risco a sua própria vida, fugiu para os EUA e se tornou um prisioneiro-colaborador do governo de Franklin Roosevelt.

Conradi teve acesso a arquivos secretos americanos desse período, recém-liberados, que incluem diversos dossiês escritos por Putzi sobre a vida e o temperamento do ditador alemão e a convivência de ambos. O biógrafo, ao mesmo tempo que descreve a personalidade titubeante e aparvalhada do pianista e amigo de Hitler, nos fornece um retrato risível do futuro líder nazista em seus anos de formação. Fica-se sabendo, por exemplo, que Hitler jamais havia visto uma alcachofra até ser convidado a um requintado jantar de uma aristocrática família alemã. Não se intimidou em revelar seu estranhamento diante da iguaria: "Senhora, tem de me dizer como comer esta coisa. Nunca a tinha visto antes", disse calmamente à sua anfitriã. A frase teria sido reproduzida diretamente dos dossiês redigidos por Putzi que continham uma outra passagem lembrada pelo pianista. Servido de um cobiçado vinho tinto, Hitler acrescentou à taça, sem nenhum constrangimento, duas colheres de sopa de açúcar. A incursão nas altas rodas da sociedade germânica foi, por sinal, uma das contribuições de Putzi ao partido. Em Munique, ele herdou a fortuna e o prestígio do avô e do pai, ambos alemães e bem-sucedidos comerciantes de arte (na época, possuíam uma galeria localizada na Quinta Avenida, em Nova York).

FÃS DE WAGNER
Hitler prestigia Winifred em Bayreuth

A AMANTE DO FÜHRER

Casada com Siegfried, filho do compositor alemão Richard Wagner, Winifred foi uma amiga íntima e grande apoiadora de Adolf Hitler. Também foram amantes e em 1933 circulou o rumor de que teriam se casado - o que não se confirmou. Ela enviou alimentos ao líder nazista quando ele permaneceu preso na década de 1920, o auxiliou na redação de sua autobiografia, "Mein Kampf", e intermediou a cessão dos direitos para a publicação do livro na Inglaterra. Após a morte do marido em 1930 - que era assumidamente homossexual -, ela passou a coordenar o Festival de Bayreuth, dedicado à obra de Wagner, e recebia Hitler na Haus Wahnfried, suntuosa residência do compositor. A mansão tornou-se um refúgio de Hitler, que em retribuição a isentou de impostos.

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15/10/2009


 
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