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A família de Chico Mendes é acusada de desviar recursos do instituto que leva o nome do maior ambientalista brasileiro

Larissa Domingos

FOTOS: TALITA OLIVEIRA; HOMERO SEGIO/FOLHA IMAGEM

O ambientalista Chico Mendes é considerado mundialmente um mártir das lutas pela defesa do meio ambiente. Assassinado em 1988 em Xapuri (AC), cidade onde nasceu e iniciou sua cruzada pela preservação da Floresta Amazônica, Mendes nunca teve seu nome envolvido em nenhum escândalo nos seus 44 anos de vida.

Na sexta-feira 9, mais de 20 anos depois de sua morte, seu nome foi jogado na vala comum em que vicejam corruptos, fraudadores e toda sorte de criminosos que se aproveitam das fragilidades do Estado em causa própria.

Em uma ação de improbidade administrativa, o Ministério Público Estadual do Acre acusa sua viúva, Ilzamar Mendes, sua filha, Elenira Mendes, e seu genro, Davi Cunha, de desviarem R$ 685 mil de um instituto que leva seu nome e foi criado por sua família há apenas três anos.

De acordo com o Ministério Público, os três falsificavam recibos de pagamento aos funcionários do Instituto Chico Mendes para desviar os recursos. O instituto é financiado primordialmente por meio de convênios com o governo do Estado do Acre, comandado hoje por Arnóbio Marques de Almeida, o Binho Marques (PT), colega de turma da pré-candidata à Presidência Marina Silva (PV) na Universidade Federal do Acre e amigo pessoal de Chico Mendes até sua morte.

A denúncia de fraudes no ICM chegou até a promotoria por meio de Deusamar Mendes - irmã de Ilzamar e esposa de Zuza Mendes, irmão de Chico Mendes -, que trabalhava no instituto e foi despedida recentemente. Ela entregou ao promotor cópias de recibos de pagamentos irregulares da ONG, presidida por Elenira, com assinaturas falsificadas. "Temos a confissão dos recibos produzidos, mas ainda não sabemos o destino da verba, só que há irregularidades", disse o promotor de Justiça Mariano Jeorge de Souza Melo, que protocolou a ação na Vara Cível de Xapuri

Segundo o promotor, os valores registrados nos falsos recibos de pagamento eram maiores do que os salários verdadeiros dos empregados e muitos estavam em nome de pessoas que não trabalhavam mais no ICM.

"A assinatura de funcionário que ganhava R$ 500, por exemplo, estava em recibo que constava o pagamento de R$ 1,5 mil", afirmou. De acordo com ele Ilzamar, a viúva de Chico Mendes, era uma funcionária fantasma.

Sem nunca ter trabalhado no instituto, recebia um salário de R$ 3 mil. A filha do ambientalista, Elenira, recebe cerca de R$ 4 mil mensais, mas alguns dos recibos de pagamento eram assinados por terceiros. A família não nega as irregularidades, mas afirma que os recursos desviados não foram utilizados indevidamente.

"Ele pode ter ido para outro objeto, mas sem desvirtuar dos objetivos de elevar os ideais do meu pai", diz Elenira, que pretende se candidatar à Assembleia Legislativa do Acre em 2010. Seu marido, Davi Cunha, afirma que as denúncias foram feitas pela mulher do irmão de Chico Mendes por conta de desavenças político-familiares.

Enquanto a Justiça não decidir o que de fato aconteceu, o Instituto Chico Mendes está proibido de firmar convênios com governos municipais, estaduais e federal. Até lá, o nome do maior ambientalista brasileiro continuará maculado.

 

 

15/10/2009


 
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