ISTOÉ - Independente
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
  BRASIL CONFIDENCIAL
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Reportagens  
Imprimir
 
Quadrinhos
Super-heróis do Islã
Eles são 99 e têm como superpoderes os atributos de Alá. Mas não brigam contra Batman e o Super-Homem

Ivan Claudio

A religião islâmica alinha 99 nomes para Alá. São os seus atributos, sempre lembrados pelos muçulmanos em louvor e reverência a Deus. Al Sami', por exemplo, significa o que tudo ouve; Al Jabbar, o que compele. Há três anos, essas expressões passaram também a nomear super-heróis, os primeiros criados em nome do Islã. Chamados "The 99", eles viraram febre nos países árabes, onde já possuem até um parque temático em Jahra, no Kuwait.

Agora se aprontam para ganhar o resto do mundo numa roupagem infalível: vão virar desenho animado com a grife de uma das maiores vendedoras de conteúdo do planeta, a empresa holandesa Endemol. "Essa parceria foi um presente de Deus", diz o psicólogo e criador da série, Naif Al-Mutawa, presidente da Teshkeel Media Group, sediada no Kuwait. "Já entregamos 26 episódios que acabam de ser comercializados na Mipcom, em Cannes. Eles estão sendo escritos em Hollywood, pré-produzidos na Inglaterra e filmados na Índia."

LIGA GLOBAL
O parque temático no Kuwait (no alto), os super-heróis (abaixo) e seu criador, Mutawa: valores universais, baseados na tolerância

Mutawa morou dez anos nos EUA e gosta de enfatizar esse lado globalizado da produção de "The 99", que se afina com a própria ideia da série: promover "a tolerância, o respeito e o trabalho em equipe". Nada, portanto, que incentive a ideologia da jihad, a guerra santa pregada pelos radicais islâmicos. Embora sejam superiores em número à famosa Liga da Justiça, que reúne Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha, os 99 não vão entrar em confronto com os famosos justiceiros americanos.

Existe até um plano de parceria com a DC Comics para que Jabbar, Sami' e companhia se aliem aos EUA na luta contra o mal. Embora a maior parte dos 99 seja de origem islâmica e venha de países como a Arábia Saudita, a Jordânia e o Egito, a legião tem representantes nos EUA, na Inglaterra, França e China, por exemplo. A explicação está no episódio "Origens". Ele estabelece que esses super-heróis nasceram depois que 99 pedras possuidoras dos atributos de Alá foram lançadas pelo mundo no século XIII, após serem roubadas pelos mongóis. Quem as descobrir passa a ter um dos superpoderes.

A heroína Fattah, por exemplo, era uma lavadora de pratos em um restaurante de Jacarta, na Indonésia. Teve contato com a pedrinha ao comprar um cinto usado num brechó. Passou a ser "aquela que abre caminhos". Mutawa adianta que um super-herói brasileiro está a caminho: "O seu poder estará ligado à luta para salvar o meio ambiente." Publicado em mais de 20 países e traduzido para oito línguas, "The 99" tem hoje em ação 23 servidores de Alá. Mas Mutawa garante que só a inspiração é muçulmana: o conteúdo se afasta do religioso. "A história foca valores que todo ser humano compartilha. Partimos dos arquétipos islâmicos vindos do 'Corão', da mesma forma que Super-Homem e Batman são baseados em princípios judaico-cristãos."

 

 

15/10/2009


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
   
   

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions