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Luz, câmera, ação e campanha
Como o filme "Lula, o Filho do Brasil", superprodução com roteiro carregado de emoção, torna-se uma poderosa arma eleitoral em 2010

Alan Rodrigues, Ivan Claudio e Yan Boechat

1979 O metalúrgico Luiz Inácio da Silva consolida-se como o mais importante líder sindical brasileiro
2009 O ator Rui Ricardo Diaz vive o personagem Lula, no filme mais caro já produzido no País

1979 Na última semana de março, o sindicalista Luiz Inácio da Silva é carregado nos ombros de dezenas de metalúrgicos do maior polo industrial brasileiro, que decidem, uma vez mais, entrar em greve para exigir melhores condições de trabalho. Poucas semanas antes, o torneiro mecânico estampara pela primeira vez a capa de uma revista semanal. Reportagem de ISTOÉ apresentava para todo o País aquele líder sindical barbudo, de voz rouca, conhecido como Lula, que em pleno regime militar insistia em enfrentar a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e aglutinava milhares de trabalhadores em históricas assembleias no estádio da Vila Euclides e nas praças de São Bernardo do Campo.

2009 Na terça-feira 27 de outubro, quando completar 64 anos de idade, Lula certamente não conterá as lágrimas ao assistir às cenas em que o ator Rui Ricardo Diaz é carregado nos ombros de dezenas de figurantes representando cenas das greves que ele próprio protagonizara há três décadas. Na festa de seu aniversário, o ex-líder sindical assistirá pela primeira vez a “Lula, o Filho do Brasil”, filme do produtor Luiz Carlos Barreto e dirigido por seu filho Fábio Barreto. A estreia nacional desta que é a mais cara produção do cinema brasileiro está marcada para 1º de janeiro do próximo ano e pode se tornar uma importante ferramenta eleitoral, quando o País estiver mergulhado na sucessão presidencial.

Nos 30 anos que separam a fotografia real da cena cinematográfica, o apelido Lula foi incorporado ao nome de Luiz Inácio. O líder sindical criou um partido político, correu o País de ponta a ponta em caravanas da cidadania, chegou à Presidência da República, ostenta a marca de presidente mais popular da história do Brasil e a cada dia consolida mais a imagem de um dos principais líderes mundiais da atualidade. Na última semana, ISTOÉ teve acesso a uma boa parte do filme orçado em R$ 16 milhões. A obra de Barreto retrata a trajetória do menino e da família nascida abaixo da linha da pobreza, que deixou o Nordeste em um pau-de-arara em busca de dias melhores. Retrata os amores e os dramas pessoais de Lula e de seus quatro irmãos e três irmãs. Termina com a morte de dona Lindu, a mãe e porto seguro de Lula, que é interpretada por Glória Pires. Os bastidores das greves, as divergências sindicais, a fundação do PT e outros temas politicamente polêmicos não são abordados. “Não é um filme político. É um filme emocionante. É emoção pura”, afirma o jornalista Zuenir Ventura, um dos poucos a assistir na íntegra uma versão ainda não finalizada do filme.

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9/10/2009


 
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