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A liberação sexual no Islã
Amparado nos preceitos do "Alcorão", o maior tabu da comunidade muçulmana começa a cair. E são as mulheres que estão falando abertamente sobre sexo

Suzane G. Frutuoso

fotos: The new york times/latinstock
NOS LIVROS Clássicos da literatura árabe são recheados de erotismo

Sexo sempre foi um assunto delicado na cultura islâmica. Cercado de proibições, ainda é um tabu dos mais arraigados em países fechados como o Irã. As restrições, no entanto, são menores do que se imagina em boa parte do mundo árabe. Com a bênção de Alá, dá para fazer quase tudo na cama. Cansadas de serem rotuladas de submissas e do prejuízo que o desconhecimento traz para a qualidade de vida, muçulmanas com posições de destaque estão vindo a público com um recado importante: o prazer é um direito e um dever de homens e mulheres, com igualdade, descrito no "Alcorão", o livro sagrado dos muçulmanos. Qualquer coisa que se diga em contrário não tem fundamento. O grupo, ainda pequeno mas crescente, exerce pressão por mais abertura para falar de sexo. Elas conseguem porque, diferentemente de gerações anteriores, não baseiam suas opiniões na ideia de emancipação feminina ocidental. São praticantes da religião e usam os textos sagrados para levar sua mensagem. A maioria pede educação sexual para praticar o aprendizado dentro do casamento e nunca em uma relação homossexual. Tratase de uma revolução que pode mudar (ou adaptar) alguns costumes árabes.

Por baixo do longo niqab preto, no qual apenas os olhos estão descobertos, a conselheira conjugal Wedad Lootah, 45 anos, não parece ser uma mulher que foi ameaçada de morte devido ao seu livro "Top Secret: Sexual Guidance for Married Couples" (Ultrassecreto: Orientação Sexual para Casados). Lançada em janeiro, a obra é um sucesso. Conta casos registrados nos oito anos em que Wedad orienta casais no principal tribunal de Dubai. Criado para tentar evitar o divórcio, virou um espaço de terapia. Entre as histórias, estão a do oficial militar que descobriu a relação extraconjugal da parceira, a esposa que flagrou o marido vestido de mulher em um bar para homossexuais e a mulher que temia o sexo oral imaginando ser proibido pelos preceitos - não é. "Esses problemas acontecem todos os dias e não podem ser ignorados", diz a conselheira. "É a realidade na qual vivemos." No livro, Wedad enfatiza a importância do prazer sexual feminino. A desigualdade nesse quesito, afirma, existente em muitos casamentos, não pode mais ser aceita. Ela lembra de uma cliente que teve o primeiro orgasmo aos 52 anos. "Ela passou esse tempo todo sem conhecê-lo!", diz. A mesma queixa, aliás, de tantas mulheres que vivem em países ditos liberais, como o Brasil. Um problema nada incomum que Wedad considera grave e só pode mudar com educação sexual é o fato de os homens terem relações homossexuais antes de casar e, na hora de se relacionar com a esposa, acreditarem que o único meio de ter prazer é no sexo anal. Esse ato, sim, é condenado pelo Islã.

fotos: The new york times/latinstock

A pioneira na abordagem da sexualidade no Islã é a sexóloga egípcia Heba Kotb. A luta da médica é "vacinar cada egípcio contra a doença da ignorância sexual". Para ela, essa é a chave para um matrimônio feliz. "Ser um bom muçulmano é também fazer um bom sexo", afirma.

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9/10/2009


 
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