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Cultura  
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Arte
Segredos da capela sistina
O teto da mais famosa igreja do mundo traz signos ocultos que só agora foram decifrados

Ivan Claudio

FOTO: PIER PAOLO CITO, POOL/AP
Mistério
A entrada da Capela Sistina, no Vaticano, cujos afrescos com passagens da "Bíblia" trariam heresias e mensagens cifradas

FOTO: PC/PHOTO BY PAOLO COCCO/REUTERS; ERICH LESSI
MARCA MALDITA
Aminadab com o círculo amarelo na manga esquerda: símbolo da vergonha usado pelo povo judeu

Todos os dias, milhares de turistas visitam a Capela Sistina, no Vaticano, a mais famosa igreja católica do mundo. Independentemente do credo, saem maravilhados - e com uma ligeira dor no pescoço. Pintados pelo gênio da Renascença Michelangelo Buonarroti (1475-1564), seu teto e altar retratam pelo menos 300 figuras bíblicas. É tudo tão detalhista e tão magnificamente realizado que é preciso um bom guia para identificar os sete apóstolos e cada uma das nove passagens do Antigo Testamento ali representadas. No centro da composição está a criação do homem, com a marca registrada de todo o conjunto: o momento em que as pontas dos dedos de Deus e de Adão se tocam. Por mais de cinco séculos muitos passaram horas observando esse afresco. E viram mais do que cenas religiosas. Um médico americano, por exemplo, enxergou ai a forma de um cérebro. Agora, dois estudiosos sustentam que Michelangelo fez também insultos à Igreja de sua época por meio de sua obra mais conhecida e inscreveu em meio a essa majestosa glorificação do cristianismo ensinamentos divulgados pela cabala, que responde pela parte mística do judaísmo. São eles o rabino americano Benjamin Blech e o especialista em assuntos judaicos Roy Doliner. Suas revelações estão expostas em minúcias no livro "Os Segredos da Capela Sistina - As Mensagens Secretas de Michelangelo no Coração do Vaticano" (Objetiva), um livro que compete com qualquer obra do escritor americano Dan Brown, autor de "O Símbolo Perdido" e do popularíssimo "O Código Da Vinci".

Muita gente, aliás, tem apelidado as especulações da dupla americana de "O Código Michelangelo", tamanha a lista de mensagens cifradas que eles acreditam ter descoberto no teto da capela. Logo na entrada estaria a primeira charada: o retrato do profeta Zacarias (que traz as feições do papa Júlio II, o contratador de Michelangelo) o mostra sendo "praguejado" pelas costas por dois anjos - a garantia disso é que um deles faz figa com a mão direita e esse gesto seria na época o equivalente ao nosso dedo médio em riste. A animosidade de Michelangelo em relação ao papa Júlio II não é inventada. Sua Santidade praticamente obrigou o artista a aceitar a encomenda de pintar os afrescos, arte que, segundo ele, que se considerava antes de tudo um escultor, não dominava. Imagine, então, se ele a "dominasse".

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9/10/2009


 
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