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Leonardo Attuch
Terror que você paga
Sai do seu bolso o dinheiro de quem sobe num trator e destrói sete mil pés de laranja

attuch@istoe.com.br

foto: Evelson de Freitas/ae

Sete mil pés de laranja no chão. Derrubados por um trator conduzido por um integrante do MST, numa fazenda invadida no interior de São Paulo. Mas quem era mesmo o cidadão anônimo, protegido por um boné, que dirigia o trator? Um lavrador, um camponês, um marginal? Não, os pés que aceleravam aquela máquina eram meus, seus, de cada um dos brasileiros.

O motorista era apenas um dos nossos empregados, quase um funcionário público. No Brasil de hoje, o MST é um braço oficial do Estado. E somos o único país do mundo que financia seu próprio terrorismo. Pagamos para que eles destruam plantações, invadam ministérios, depredem o Congresso e, em situações extremas, cometam até assassinatos, que chegam a ser classificados como atitudes "arrojadas" pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

De janeiro a setembro de 2009, diversas entidades ligadas ao MST já receberam mais de R$ 15 milhões em convênios firmados com o governo federal - nos últimos quatro anos, foram mais de R$ 50 milhões. A mais forte delas é a Associação Nacional de Cooperação Agrícola, a Anca. E o que se faz com o dinheiro, quase ninguém sabe, porque não há prestação de contas. Justamente por isso, deputados e senadores passaram a recolher assinaturas para instalar uma CPI mista sobre o assunto. Ela só não saiu até agora porque o governo, que deveria ser o maior interessado em dar transparência ao que se faz com o dinheiro público, tem usado suas verbas e o peso de sua maioria para barrar qualquer iniciativa parlamentar contra os sem-terra.

Nesse jogo, o líder da bancada do MST no Congresso tem sido o próprio presidente do Senado, José Sarney. Como ainda tem contas a pagar à sociedade e dívidas de gratidão com o governo Lula, ele passou a defender os invasores e disse ser contra a "criminalização" dos movimentos sociais. Rezando pela cartilha do PT, o senador do Maranhão tem conseguido manter intacto um dos maiores latifúndios improdutivos do País - o do setor elétrico, que é quase uma capitania hereditária concedida por Lula à família Sarney.

Intocáveis, inimputáveis e cada vez mais ousados, os líderes do MST já mandam no Executivo, no Legislativo e intimidam o Judiciário. Recentemente, o promotor de Justiça Gilberto Thums desistiu de mover ações contra o movimento por se sentir ameaçado. Recebeu gravações de suas conversas e foi vítima de um atentado. "Se a luta não for de todos, não é de ninguém", disse Thums, ao jogar a toalha. Ele fez bem. No Brasil de hoje, cada vez mais acovardado, somos todos sem-terra. Terroristas e exterminadores de pomares.

 

 

9/10/2009


 
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