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MEDALHA Segundo Cabral, a Olimpíada pode levar Lula à chefia da ONU |
Depois da vitória do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016, é hora de levantar a manga da camisa e trabalhar. Os desafios são grandes e vão exigir dos governantes empenho para honrar os compromissos assumidos com o Comitê Olímpico Internacional. Entre as prioridades dessa empreitada estão a despoluição da Baía de Guanabara e a questão da segurança pública. À frente de tão grandioso desafio está um político que sempre acreditou que o Rio levaria essa: o governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB). Desde já, ele adianta que a maior obra a ser realizada será a ligação do metrô da Gávea à Barra da Tijuca. Se conquistar o título de primeira cidade a sediar uma Olimpíada no continente rendeu ganhos de popularidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentar credenciais para a boa realização do evento pode significar para Cabral, de 46 anos, uma grande chance de reeleição no ano que vem. Nesta entrevista à ISTOÉ, ele fala das primeiras providências nessa caminhada olímpica e aponta o destino que Lula poderá ter ao fim de seu segundo mandato: o cargo de secretário- geral da ONU.
ISTOÉ - Qual a primeira providência a ser tomada para iniciar a preparação para a Olimpíada? Sérgio Cabral - O mais importante é que os três níveis de governo mantenham o discurso afinado. A orientação do Comitê Olímpico Internacional é dar uma acalmada e aguardar a chegada, em novembro, de 15 executivos que irão montar um cronograma de sete anos de trabalho. Como o Rio terá a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo em 2014, na qual a cidade vai sediar a final e também vai ter o centro de mídia, acredito que vamos chegar a 2016 com muito pouca ou nenhuma sofreguidão.
ISTOÉ - Qual a empreitada mais difícil? A despoluição da Baía de Guanabara?
Cabral - Esse processo está andando muito bem. Temos uma programação de saneamento para os próximos três, quatro anos. Mas já fizemos bastante. Recebemos a estação Alegria do Caju com 400, 500 litros por segundo de tratamento primário. Hoje temos 2.600 litros por segundo de tratamento secundário. Por isso, Paquetá não tem mais praia suja e outras praias estão em nível de balneabilidade que não tinham há 30 anos. Talvez a obra mais ambiciosa seja uma que não está no projeto levado ao COI. É a ligação do metrô entre Gávea e Barra da Tijuca.
ISTOÉ - E a segurança pública?
Cabral - O Rio já mostrou a capacidade de realizar eventos internacionais em segurança. O Pan provou isso. Eu disse aos membros do COI: se quiserem fazer os Jogos Olímpicos em segurança, é possível alcançar esse objetivo em dois meses. Com o nível de entendimento com o governo federal, ponho 40 mil homens da Força Nacional de Segurança nas ruas. Mas o que queremos é mudar a política de segurança. Queremos chegar a 2016 com a cidade tranquila antes, durante e depois do evento. Para isso, estamos combatendo a corrupção na polícia, melhorando a política de gratificação dos policiais, investindo em tecnologia. Conseguimos empréstimo do BNDES para interligar todas as delegacias online. Até 2010 vamos acabar com as carceragens em delegacias, através da casa de custódia. Será o primeiro Estado a alcançar essa meta.
ISTOÉ - O presidente falou em transformar todas as favelas em bairros.
Cabral - Esse é o grande caminho. A ministra Dilma (Rousseff) inclusive visitou o Complexo do Alemão com esse objetivo. Como o tempo de mazelas e absurdos foi muito grande, tivemos nesses 15 anos um aumento significativo de comunidades carentes sem condições mínimas. O que estamos fazendo no Alemão, em Manguinhos e na Rocinha, além de facilitar a formalização das empresas, é qualificar os jovens, levar cultura.
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"Muitas vezes, aqui no Rio, os políticos optaram pelo populismo. O que estamos fazendo é reorganizar o Estado" |
ISTOÉ - Mas essa meta anunciada pelo presidente Lula não é ambiciosa demais?
Cabral - Certamente, mas é essa meta que nós devemos perseguir. Com persistência, com tenacidade, mas sabendo que não há solução fácil. Muitas vezes, aqui no Rio, os políticos optaram pelo atalho. Esse é o caminho do populismo, da desorganização do Estado. O que estamos fazendo é reorganizar o Estado.
ISTOÉ - O sr. acha que havia muita gente que não acreditava nesse resultado?
Cabral - O presidente falou que no Brasil há muitos pessimistas e que alguns desses dormem, guardam o sapato e no dia seguinte acham que o sapato já está velho. O cara diz: não vai dar no meu pé. Tinha gente que dizia que Obama estava chegando e por isso os EUA ganhariam. O rei da Espanha e o primeiro-ministro japonês também estavam lá. E acabamos ganhando. Acho que acabou essa fracassomania que era muito forte no Brasil e no Rio. Das minhas realizações, a maior foi recuperar a autoestima do carioca.
ISTOÉ - Como se verificava esse baixoastral?
Cabral - Antes, o cara ia para o bar e das duas uma: ou reclamava da vida, dizendo que os investimentos estavam saindo, que ninguém queria se instalar aqui, ou então discutia quem tinha razão, o presidente, o governador ou o prefeito. Os três não se entendiam.
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